Thursday, April 20, 2006

Os Mistérios Erisianos






O Princípio Anerístico é aquele de APARENTE ORDEM; o Princípio Erístico é aquele de APARENTE DESORDEM. Tanto ordem quando desordem são conceitos criados pelo homem e são divisões artificiais do CAOS PURO, que é um nível além do que o nível de criação de distinções. Com nosso aparato de criar conceitos, que chamamos "mente", nós olhamos para a realidade através das idéias-sobre-a-realidade que nossas culturas nos dão. As idéias-sobre-a-realidade são erroneamente rotuladas de "realidade", e pessoas não iluminadas sempre ficam perplexas pelo fato de que outras pessoas, especialmente outras culturas, vêem a "realidade" de uma maneira diferente. São somente as idéias-sobre-a-realidade que diferem. A realidade Real (Verdadeira com V maiúsculo) é um nível além do nível de conceito. Nós olhamos para o mundo através de janelas nas quais foram desenhadas grades (conceitos). Filosofias diferentes usam grades diferentes. Uma cultura é um grupo de pessoas com grades bastante similares. Através de uma janela nós vemos caos, e relacionamos ele aos pontos na nossa grade, e assim entendemos ele. A ORDEM está na GRADE. Este é o Princípio Anerístico. A Filosofia Ocidental preocupa-se tradicionalmente em contrastar uma grade com outra grade, e juntar grades na esperança de encontrar uma perfeita, que vai retratar toda a realidade, e vai, portanto, (dizem os ocidentais não-iluminados) ser Verdadeira. Isto é ilusório, é o que nós Erisianos chamamos de ILUSÃO ANERÍSTICA. Algumas grades podem ser mais úteis do que outras, algumas mais agradáveis do que outras, etc., mas nenhuma pode ser mais Verdadeira do que nenhuma outra. DESORDEM é simplesmente informação não relacionada vista através de alguma grade particular. Mas, como "relação", não-relação é um conceito. Macho, como fêmea, é uma idéia sobre sexo. Dizer que macheza é "ausência de feminilidade", ou vice-versa, é uma questão de definição e metafisicamente arbitrária. O conceito artificial de não-relação é o PRINCÍPIO ERISIANO. A crença de que "ordem é verdadeira" e desordem é falsa, ou de alguma outra forma errada, é a Ilusão Anerística. Dizer o mesmo da desordem é a ILUSÃO ERÍSTICA. O ponto é que a verdade (v-minúsculo) é uma questão de definição relativa à grade que uma pessoa está usando no momento, e a Verdade (V-maiúsculo), realidade metafísica, é totalmente irrelevante para as grades. Pegue uma grade, e através dela algum caos parece desordenado e outro aparenta desordem. Pegue uma outra grade, e o mesmo caos vai aparecer ordenado e desordenado de forma diferente.

Thursday, April 13, 2006

Um texto meio sem fundamento

Quando penso no Japão na idade média, imagino um monte de guerreiros de rabicó esfaquiando a própria barriga branca.
Por que todo mundo na idade média se matava?
No Japão havia a cidade de Edo, hoje Tokyo. E também tinha Kyoto, hoje Kyoto.
Várias guerras civis rolaram.
Destruíram Kyoto.
E a arte floresceu!
A idéia é a de que a arte, assim como a cultura, brota após um período politicamente crítico.
A onda chega e tudo destrói. Não resta alternativa senão começar de novo sob outra ótica, com diferentes perspectivas e valores.
O novo abre espaço para quea visão seja diferenciada e, com ela, vem a criação.
Inata, porém amortecida.
É preciso que o mundo se transforme, se renove periodicamente, para que a arte floresça?
Ou será a arte responsável pela renovação do mundo?
No Japão da idade média, os que detinham o poder usavam a arte como instrumento. Permitiam que os artistas retratassem o dia a dia das cidades (e pagavam pelas obras) para que pudessem observar o que ocorria com o povo sob seu domínio.


Puta texto tosco. Parei.

Tuesday, March 28, 2006

Pesadelo




Mas eu não queria ver aquele filme, nem ver novela... então apaguei a luz às 21h30, quando meus olhos não reconheciam mais a sequência das palavras do livro que deviam estar fazendo sentido mas que, para mim, não diziam mais nada.

Meus olhos, pesados, pediam para ser virados do avesso pra poderem olhar, ou ler, as estórias que meu cérebro guarda no universo dos meus sonhos.

Então resolvi dormir.





Mas meu sono das 21h30 não foi pesado o suficiente para me poupar de um impiedoso despertar, às 22h, ao som do KLB.
Eles invadiram minha casa.
Quem manda ser carente e ficar aguardando visitas?
Eles chegaram. Eles e suas musiquinhas.
Eles invadiram minha casa!!
Por estarem em depreciação no mercado musical e, consequentemente, cobrarem um cachê mais baratinho, o querido prefeito os contratou para um show em comemoração ao aniversário da minha cidade.
Pão e circo!! Eba!!
Neste caso, apenas circo, porque o pão deve ser comprado em uma das barraquinhas da festa.
Tudo bem. Respiro fundo. Tá tudo bem, Marina. Se concentra.
Comecei a pensar no que poderia fazer pra evitar um colapso nervoso.
Depois de 40 minutos rolando na cama, pensando se incomodaria Deus com uma súplica desesperada ou se batia a cabeça na parede, resolvi me levantar.
Peguei uma taça de vinho, acendi um cigarro.
Fiquei pensando sobre o sorriso. Esse sorriso que mantemos no rosto.Um sorriso social, inexpressivo, que fica lá, jocoso, pra causar boa impressão ou, em casos mais graves, pra evitar que palavras infames saiam de uma boca que responde a uma alma verdadeira.
Ultimamente tenho lançado vários destes sorrisos. Tenho preferido a complacência. Palavras simples, gestos simples.
Meu cérebro tendo convulsões, meus pensamentos num turbilhão de idéias ainda desconexas e meu coração tentando decifrar emoções novas, tentando encontrar as respostas que possam preencher o vazio que tenho sentido.
Vazio necessário.
Por isso mantenho também vazio o sorriso.
Devo manter a energia presa em meu corpo, me alimentando.
Pois algo está se transformando em mim e quero poupar e respeitar meu momento fetal.

E agora que acabou o show do KLB posso dormir novamente e voltar ao mundo dos meus sonhos e alimentar minha alma de pensamentos etéreos.
Obrigada, meu Deus!!


Wednesday, March 22, 2006

Out


Tenho sentido meu cérebro oco.
Esse é o problema.
Estou me sentindo uma personagem do livro Admirável Mundo Novo. Um ser artificial, mecânico, plástico e sem individualidade.
Tá tudo superficial demais.
Não tem vento forte batendo no rosto.
Preciso de uma cachoeira.

Friday, March 17, 2006

Obra de arte

Ivete:Meninas... Eu tenho uma sugestão:Aqui temos uma Loira, uma morena, e uma quase ruiva que não se decide na cor do cabelo... Vocês deveriam fazer uma pose "Angel's Charlie" e tirar uma foto. Ficaria fabulosa!!!

Marina: Enquanto não podemos reunir as três pra tirar a famosa foto poderosa, coloquei outra, não menos significativa, representando uma outra vertente de nossa tão complexa personalidade. Afinal de contas, também somos moças direitas, de família... e como diz a pantera bunda branca: Somos pra casar!!!

Ivete: Nossa!!!! Que poder eu tenho!!! To me sentindo o próprio deus... Seja feita minha vontade.... Quero um homem que nem a Marina, que faça todas as minhas vontades...A foto está ótima!!! Perfeita como uma luva...Olha que linda!!! 3 anjinhas!!! TUDIBOM, igulazinha nossas amigas legais!!

Denise: biutifu!! bem legal essa foto!! só faltou nossas carinhas!!! hehehe!

Marina: hhuummmm óotima idéiaa!!!


Friday, March 10, 2006

Monday, March 06, 2006

Oscar e pilhas

And the Oscar goes to...

Na TV, jornais do mundo, revistas, internet. Oscar pra todo lado. Fiz umas pesquisas e o que mais encontrei foram fotos do George Clooney, lindo, em roupa de gala. Lindo mesmo.
Fiquei imaginando a quantidade de mulheres que, nesta noite, usaram seus amiguinhos pra dar uma fantasiada... hoje, provavelmente, vai ter récorde mundial de venda de pilhas.


Por isso me inspirei e resolvi fazer uma homenagem especial pra quem eu considero lindo de verdade... em todos os sentidos. Nada melhor pra uma segunda-feira chuvosa.

http://www.janesaddiction.com/janesaddiction.html





What makes a kettle whistle?
What makes gold precious?
How come some people, they'll show you everything?
How come some people, they don't like nothing at all?
Well I know why...
We all want to be
Beautiful too...
Beautiful too...
What makes a baby cry?
What makes a poor baby older than a rich one?
And why do we need to belong to someone else...
Well I know why...
We all want to be...
Beautiful too...
Beautiful too...

Thursday, March 02, 2006

Tempo




Pronto, vamos lá.
Novamente estou aqui, depois de tanto tempo, tantas coisas que aconteceram por aí afora e por aqui dentro também.
Pra começo de conversa, me mudei de casa. Conseqüência de outro fato extraordinário que se passou comigo: concluí a faculdade. Até semana passada era formanda mas, depois de algumas horas vestida de beca, morrendo de calor, fazendo discurso (sim, fui a oradora da turma) e poses para os fotógrafos, me tornei uma formada. Uma profissional do marketing ou marketeira, como alguns preferem. Eu não. Não que isso tenha revolucionado minha vida profissional, que eu tenha recebido um aumento de salário, novo emprego ou férias em algum lugar afrodisíaco, mas o fato de deitar a cabeça no travesseiro e pensar: Eu consegui! Eu agüentei! Eu fui paciente e investi numa estória de conclusão em longo prazo, realmente me fez bem. Já comecei tantas coisas, já tentei tantas possibilidades pra esse serzinho que habita em mim que até perdi a conta. Raríssimas vezes consegui concluir alguma delas. Talvez preguiça, ou simples perda de tesão. Porque eu perco o tesão nas coisas mesmo.
Mas dessa vez foi diferente, segui em frente, agüentei professor chato, português errado e pão de queijo todo dia na cantina. Agüentei ponto de ônibus na chuva (com trânsito, é claro), agüentei mensalidades, banheiro sujo e poucas horas de sono. Tudo isso, na verdade, foi abstraído por mim. Eu cantava lá lá lá quando algum desses fatos rolava porque o saldo era positivo. Como um casamento: tem lá suas chatices mas, enquanto dá vontade de sorrir, vamos em frente. É uma delícia viver estórias.
O saldo era positivo porque fiz amizades, vivi um romance (que durou menos do que o curso, mas teve seu valor), tive professores ótimos, matei aula de sexta-feira, essas coisas. Uma fase que não volta mais, definitivamente. Eu, que me sinto com 17 anos, não poderia ter passado minha pseudo adolescência de forma melhor. Foi ótimo.
E acabou. E com ela acabou o sentido de morar em Guarulhos, simples assim. E por isso, voltando ao primeiro assunto desse texto, me mudei.
Poderia vir com aquele papo de que sou andarilha, nômade, inconstante... mas a verdade é que sou prática. Chega de enfeitar o bolo. Trabalho em Mairiporã e me mudei pra Mairiporã. Faz sentido, né? Prezo por algumas horas a mais de sono.
E aqui tenho amigos, tem montanhas verdes, tem ar puro e família. Aqui tem silêncio também.
Aluguei uma casinha caindo aos pedaços. Lixei, pintei, limpei, fiquei com dor nas costas, mas valeu a pena. Agora ela parece uma casinha de campo, com paredes brancas e batentes e portas azuis. Ganhei de presente a Harolda de Tróia, uma gata que anda na diagonal. Que não tenho coragem de deixar na lavanderia e, por isso, dorme comigo e toma conta da cama toda. E fico encolhida no cantinho, torta e sem dormir, só pra não acorda-la. Ela é um bebê, está em fase de crescimento, precisa de amor e carinho... compreensível.
Na primeira semana fiz festinhas de inauguração. Na segunda semana convidei amigos pra jantar e a casa ficou uma zona. Agora, na terceira, tudo está brilhando, arrumadinho... chego em casa e?
Olho para as paredes. Perambulo sem saber o que fazer.
Cheguei ao absurdo de pensar que preciso de uma tv. Pra ver a que ponto chega o deslocamento de não se saber mais como é que se faz pra ficar consigo mesmo.
Faz tempo, muito tempo, que não tenho esse tempo.
Agora penso no tempo.
Antes era aquela correria, chegava em casa às 23h, acordava às 5h e hoje percebo que todas as vezes que me olhei no espelho pra arrumar meu cabelo, com pressa, não me enxergava de verdade.
Agora tenho tempo pra me enxergar. Tenho tempo pra pensar o que vou fazer com esse tempo livre. Por isso sentei pra escrever (desisti da idéia da tv, graças a Deus) e me lembrei de quanto tempo faz que não escrevo. Há quanto tempo não tinha tempo pra escrever? Agora o tempo é algo novo, um leque de novas possibilidades. Agora tenho que pensar em mim e o que vou fazer por mim enquanto não estiver no trabalho. Não vou pensar em trabalho.
Me bateu solidão também. Mandei mensagens para as amigas, telefonei. Mas não posso gastar tanto com celular e, na verdade, não posso ficar assim gastando meu tempo fugindo de mim. Não é pra isso que ele está em casa agora. O tempo habita minha casa. Ele paira pelos cômodos.
Ginástica? Fazer um jantar pra mim?
Tentei fazer caminhada e quando abri a porta, estava chovendo.
Lavei alface e comi a feijoada que minha amiga trouxe numa marmita. Só tive que esquentar no microondas: 50 segundos.
Brinquei com a Tróia, coloquei cds nos 3 compartimentos do meu som e eis que, Fiat Lux!, lembrei que escrevo, que tenho cerveja na geladeira e cigarros no maço!
E cá estou. Brincando novamente com o tempo, fazendo dele meu companheiro de noites chuvosas.
Tomara que esses tempos durem bastante pois há que se aprender muito com o tempo. Esse cara é realmente um mistério mas, pelo visto, vou deixar de ser um mistério pra mim, já que vou ter tempo suficiente pra me olhar direito no espelho.


30/01/06 21:25

Wednesday, March 01, 2006

How I feel today





That's why I love Dalí

Luzes




Parágrafos soltos - estudo para trabalho site
Luz

Criação. Ao enxergar o mundo pela primeira vez, o novo ser se encontra com um feixe de luz: prenúncio da co-dependência que existirá entre eles por toda a vida. Uma ligação tão
íntima que, por vezes, se torna imperceptível, tamanha sua sutileza.
A luz branca, com sua frieza e intensidade, causa o primeiro medo em uma nova vida. Choro. Lágrimas.
Mas a luz refletida nas gotas de lágrimas que correm no pequeno rosto se transforma em conforto e afago. Calor.
Dualidade infinita.
Fria, quente, de múltiplas cores, a luz banha os seres com sua força e constância. Peça fundamental para a sobrevivência de uma espécie que não mais enxerga sua própria escuridão, que não mais reconhece suas sombras.
Mas também a luz depende do ser. À mercê de seus comandos, de seus chamados contra a escuridão, ela se mantém disponível, passiva, sempre aguardando ao primeiro sinal de necessário auxílio.
Terá ela o mesmo brilho, a mesma vida dentro dos fios que a conduzem?
Asfixiada por seus fios, como uma explosão de energia, um nascimento, ela brota de suas raízes e se expande em luminosidade não linear, no entanto constante. Liberdade. Desconhece suas razões e limites, apenas se liberta, tentando alcançar o máximo de espaço possível, como uma expiração forte e profunda. Um alívio.
Pelas ruas, vendo o movimento das pessoas, ela guia seus passos. Protege. Sinais de pista que comandam decisões. Comporta-se como uma guardiã de segredos dos seres humanos, pois os segredos não habitam a luz. Pensamentos são noturnos, escuros. A luz, em si, mantém a todos acordados, lúcidos e seguros. A luz é uma máscara para o medo.
Por todos os lugares onde passo, eu vejo a luz. Presença constante. Mesmo nos momentos mais sombrios ela está presente, com sua luminosidade abafada, vermelha, quente, densa.
Poderia-se dizer que é coadjuvante, apenas uma ferramenta facilitadora para movimentos e visões. Mas, na verdade, é ela quem comanda sensações e desejos. Suas nuances trazem à tona diferentes anseios e instintos.
Fomos dominados pelo desejo e de tê-la envolta em nossos corpos, como o desejo de um eterno abraço acolhedor.


Existem as luzes presas.
As luzes solitárias que são mais fortes.
As luzes sujas, presas com mosquitos no vidro.
Luzes em conjunto formando uma musicalidade.
Uma luz vermelha que chama toda a atenção só para ela.

Eu preciso de um namorado. To com muito tesão contido.


Existem as luzes presas. Uma aceitação denunciada pelas marcas que ficam nas paredes ou chão, cicatrizes que evidenciam sua limitação, sua tristeza. Surgindo com toda a intensidade que sua natureza proporciona, de repente ela se vê bloqueada por sua própria passividade, por sua necessidade de ser conduzida por mãos humanas. Seu grito não é ouvido. Sua dependência explícita. Na tentativa de se libertar, de mostrar sua real natureza, ela se utiliza da própria estrutura bloqueadora, e com ela desenha figuras geométricas. Utiliza tais elementos para chamar atenção ao seu grito de liberdade.

Tuesday, February 28, 2006

Carnaval




muita, mas muita preguiça.
Pelo menos não ouvi muito samba, consegui fugir pro rock n' roll.
Sampa. Ruas vazias.
Eu prestava atenção nas luzes e movimentos da ruas, enquanto passava rápido.
Espaços coloridos e solitários, são as ruas de São Paulo.
E, no entanto, cheios de vida, cheios de pulso. As ruas pulsam.
Ouvi blues e sorri.
E sonhei que o Bono Vox se sentiu atraído sexualmente por mim. E eu fiz tipinho.
Vou ouvir menos U2.

Wednesday, February 22, 2006

Inspiração

O negócio é o seguinte: não estou inspirada pra escrever. Olho para essa tela branca, essas letras... e não sai nada.
Não que eu não tenha assunto ou que meu cérebro tenha desistido de pensar. Pelo contrário. Penso mais do que nunca, penso demais, canso de pensar. Pensar cansa.
Aí poderia desenvolver uma série de temas que têm passado pela minha mente ultimamente: a dificuldade de abandonar pensamentos e lembranças que me ferem; a feliz descoberta de que tenho em mim um milhão de pessoas, de que sou inúmeras possibilidades ao mesmo tempo e de que isso é natural. Ter a consciência da complexidade da personalidade, suas incríveis possibilidades de transformação e adaptação a diferentes contextos é muito saudável. Ao contrário do que sempre ouvi a meu respeito: um camaleão, inconstante e confuso. Descobri que minha inconstância e diferentes posturas não são, como me fizeram acreditar, falta de personalidade forte. Ela é, sim, a força da certeza de ser qualquer coisa que se queira.
Também poderia falar sobre a dieta que quero fazer e não consigo porque acho fútil demais até pensar nisso. Mas eu penso. E não como mais fritura.
Outro assunto interessante seria minha compulsão por Fiona Apple. Poderia aproveitar a oportunidade para pedir a quem tenha o cd, que me empreste pelo amor de deus. Eu gravo, cuido, devolvo bonitinho, inteiro. Prometo!
Tenho analisado corpos. Meu olhar não traz consigo nenhum sentimento. É apenas curiosidade. Gostaria de compreender quais motivos levam essa ou outra pessoa a ter determinado corpo. Que pensamentos e sentimentos e costumes têm as pessoas para que carreguem consigo as marcas do corpo que possuem? Penso que o corpo reflete aquilo que o espírito é.
Nessa sociedade de pessoas alienadas que não se enxergam, que buscam em seus corpos a satisfação do ego, a busca de um corpo saudável se torna muito mais difícil, pois o cuidado é apenas corporal, voltado para a estética. Uma cobrança social. Uma necessidade de ser amado e apreciado a partir de sua imagem. Não há uma busca mais aprofundada de bem estar, equilíbrio e respeito. Não há a consciência de que um corpo bem disposto, vigoroso, ágil e flexível, influencia na obtenção de bons resultados em todas as esferas da vida. Até mesmo a intelectual. No ser humano não há distinção entre palavras e carne, músculos e pensamentos. São partes de um todo que se complementam e dão suporte ao projeto de vida, ou destino, ou qualquer outra palavra que se encaixe melhor. Palavras se desfazem quando não acompanhadas de ação, são inúteis. Músculos são necessários para que pensamentos se tornem atitudes.
É... acho que vou parar de escrever besteira e fazer uma saladinha...

Bom falar sobre o que se sente

Bom falar sobre o que se sente. Bom sentir e se fazer sentida, presente, afirmando a expressão pessoal da verdade de maneira clara, verdadeira e explícita. Bom ser explícita.
Bom é viver apaixonada. Sentir paixão correndo nas veias. Estar apaixonada pelo simples fato de que a paixão é combustível. A paixão trás consigo a alegria, a alegria trás consigo a liberdade. E a liberdade é o que nos move e nos aproxima do mundo, interagindo com ele de forma genuína.
O amor é a paixão bem vivida. O amor é libertário. Dois mundos que andam paralelos, cada um com seus desejos, ritmo e compasso. Cada mundo em seu lugar. E um terceiro mundo, que não nega, não priva. A sedução propõe troca e não apropriação.
Precisamos aprender a nos deixar apaixonar. A paixão muda o estado do amor, mas não sua natureza, porque o amor é sempre namoro, sedução constante e infinita. São relações que independem do tempo, pois vivem mais da intensidade do que da continuidade.
A paixão alimenta-se de liberdade e representa a expressão urgente e insaciável de nossa originalidade única. Ela dá significado, essência e beleza ao amor. O amor, como o nascer do Sol, é sempre o mesmo, mas jamais será igual. Por isso é bom não perdê-lo a cada dia.
Meu mundo é meu e sempre será e sou tão complexa e tão cheia de coisas para descobrir, que não existe sentido em colocar alguém dentro dele para ser carregado. Não quero carregar ninguém. Não quero alguém que faça do meu, seu mundo.
E alguma pessoa, em algum lugar, tem um mundo. E é tão complexo e tão cheio de coisas para descobrir e quer tanto ir em busca de seus prazeres e paixões, que não existe sentido em me colocar dentro dele para ser carregada. Não quero ser carregada. Não quero fazer de alguém, meu mundo.
Soma.
Ser livre é um ato essencialmente de insubmissão e de afirmação da originalidade única da pessoa. A única liberdade que vale é a conquistada e a busca é incessante. Ela se parece com o amor, que é preciso defender, desenvolver e cuidar. O amor só nos garantirá felicidade e paz quando a liberdade for seu maior prazer.
Nossos sonhos precisam ser vividos agora, pois amanhã serão outros.

Ondas




Sou uma mulher. E as fotos que vejo na parede mostram minhas vidas, a Marina que tantas coisas viveu.
Imagens de momentos tão especiais e mágicos que compõem todo meu passado, cujas experiências me tornaram o que sou hoje.
E o que sou hoje são fragmentos desses erros e acertos mal calculados, nada planejados. Fluxo de uma maré infinita, espessa, forte e cadente.
Minha vida foi música.
Fogo, água e estrelas.
And suddenly... todas essas imagens se fundem numa só, ainda desconhecida para mim, no entanto tão amada quanto as outras e com tantas infinitas possibilidades de escolhas nesse destino que me conduz por caminhos tão belos e sublimes.
E olhando meu mundo, todos esses fragmentos de sensações, idéias e estímulos, encontro, de repente, uma nova pessoa.
The child is gone.
Como caminhar por um campo de margaridas... cores vivas e no entanto fugazes, pois que se transformam com o mínimo movimento solar.
Meu ser, liquefeito, viaja nesse mundo compacto como que em outra dimensão. Tenho outra dimensão em minhas veias.
Dimensão que se transforma, se transmuta, compondo um todo que ainda desconheço mas que, no
entanto, me fornece energia suficiente para continuar crendo. Crendo em beleza e suavidade. Crendo num misto de amor e fortaleza. Sentimento e certeza.
Vendo minha imagem distanciada pelo tempo e compreendendo que aquela que já morreu ainda vive em mim com potência infinita, compreendo e sinto o poder de se ser contínua e fluida.
Aqui nesse espaço em branco, onde escrevo tais palavras, me sinto como que num templo protetor e atemporal.
Também sinto que esse mundo não é para mim. Esse jogo diário de espécies e egos não me seduz e meu comportamento é, sem dúvida, uma tentativa desesperada de viver a verdade que escolhi para mim, tão diferente da verdade definida comodamente para o calmo e lúcido caminhar da humanidade.
No entanto, me sinto tão parte desse todo, tão inserida e tão preparada para interagir de maneira apropriada, distinta e cúmplice, que chego a me sentir dissimulada.
Mas não, não é dissimulação. Não existe em mim outra possibilidade que não seja a de ser verdadeira. É, na verdade, essa diferente dimensão onde vivo, onde vivem meus ideais, me faz, obrigatoriamente, ser esse ser estranho e informe, faminto e intenso.
Acredito que isso, que esse olhar transformador, seja o instinto que causa essas tantas percepções diferenciadas. Essa visão que tanto me assusta. Que tanto me preenche de verdades transbordantes e verdades cruas.
Eu, nua.
Eu, viva.
Eu, realizada.
Suave textura.



05/03/2005

NOITE DE VERÃO

Era morna e suave.
O vento soprava as almas que passavam...
Levava embora qualquer vestígio de realidade.
E aquele rosto tão conhecido e tão misterioso
Fazia a alma gemer de prazer e deleite
Era mais do que carne ou pele.
Mais do que qualquer sensação terrena.
Fictício, fantasia, sonho...
Até o último instante ela pensou que uma hora acordaria
E perceberia todo aquele calor se esvair no espaço
Flutuar e se apagar.
Como as palavras
Mas naquela noite não foram as palavras que se pronunciaram
Não foi somente o toque, o íntimo.
E foi tão forte que o instante seguinte passou a não ter
significado algum.
Agora ela ri do amanhã, ela acha graça do próximo olhar.
Porque nada importa
Porque seu espírito voou
Porque ela flutuou no espaço, fechou os olhos e dormiu.
E, mesmo sendo ótimo para ele ouvir tais segredos,
Ela não falou
Ele não ouviu
Mas sentiu no fundo de sua alma, mesmo que por um instante
(E disso ela teve certeza)
Que a felicidade existe
Mais perto do que se imagina.

03:23 14/12/99

Sol




Não é por acaso que escrevo estas palavras. Assim como nada é por acaso, tento refletir acerca do que vejo, sinto, ouço e experimento.
Pra mim, a vida é experimental, me dou liberdade de provar de tudo, sentir tudo, vagar sem raízes e deixar que a energia me conduza.
É muito chato escrever no papel. Já me habituei a apertar botoezinhos no computador e corrigi-los com rapidez e facilidade.
Assim a vida se apresenta: ágil, rápida, dinâmica. E assim me adapto a ela, seguindo seu ritmo e deixando espaço para o novo, o inusitado, o improviso.
Assim vi o sol nessa manhã de sábado. Vi o sol nascer.
Meio prata, meio branco, entre as nuvens, contrastando com o verde das árvores e com minha maquiagem borrada de suor.
Lindo ver o sol nascer.
Corpo cansado, a música ainda vibrando nos ouvidos e o coração ainda pulsando compassado ao ritmo.
Sugestões para um corpo ansioso.
Corpo vivo, livre. Espírito solto, sem raízes.
E o sol, nessa manhã, fez toda a diferença quando brilhou na minha frente, naquela avenida, quando eu menos esperava.
Um “Bom Dia” sincero, alegre e puro, desses que a gente espera ouvir ao acordar numa manhã qualquer.

Manual de explosão

Manual: Como botar fogo na casa e não precisar de bombeiros.


1. Seja fumante.
2. More sozinha.
3. Involuntariamente, faça com que seu isqueiro vá para outra dimensão (como todos os isqueiros um dia fazem).
4. Vasculhe por todas as gavetas, compartimentos, esconderijos e armários, em busca de um outro isqueiro ou fósforos.
5. Entre em desespero.
6. Procure tudo de novo. Todas as gavetas, compartimentos, esconderijos e armários.
7. Pânico.
8. Pense em sair na chuva, à noite, e ir a um boteco.
9. Não vá. Seja mais preguiçosa do que viciada.
10. Ligue para uma amiga que tenha uma ótima idéia: O fogão!
11. Tenha um fogão velho.
12. Seja otimista.
13. Pegue o fio (velho) do fogão (velho) e pense que ele vai funcionar perfeitamente.
14. Ligue o fio na extensão.
15. Ligue a extensão na tomada.
16. ...............

Explosão! Faíscas! Fogos de artifício! Derretimento de fios inteiros! Labaredas na cozinha! Curto circuito! Caos!

17. Grite: “Ai meu deus! Ai meu deus!”
18. Veja sua cozinha se transformar em uma nuvem compacta de fumaça com cheiro de plástico.
19. SEJA INTELIGENTE!
20. Corra para a chave geral!
21. Desligue a chave geral.
22. Tire a caca da tomada, mande à merda. Mande à merda várias vezes. Repetidas vezes.
23. Ligue a chave geral.
24. Ligue para papai, amigas (apoio psicológico).
25. Jogue a merda da extensão derretida no lixo.
26. Saia. Vá comprar um isqueiro.
27. Volte pra casa.
28. Acenda um cigarro.
29. Abra uma cerveja.
30. Coloque seu som preferido.
31. Sorria! É sábado!

Friday, September 30, 2005

email da Ellen




Esse é o email que a Ellen me mandou. Fantástico.


Esses dias, ouvindo uma rádio portuguesa (o que é increible, porque
geralmente são muito ruins.) chegou o momento de falarem o horário. Diz a
locutora: "acabamos de entrar na segunda meia hora que nos vai levar a uma".
Era simplesmente doze e trinta. Eu fiquei atônita até chegar a primeira
metade de hora que me levou às très!!. Essa mesma rádio, e muitas outras,
espanholas também, tem o costume de pôr um som, às horas cheias (como se
fosse um cuco) com o barulhos de um despertador. Pode estar tocando...a
melhor música do mundo ..sei lá; The End, por exemplo. Eles pôe esses
barulhinhos em cima da música e diz uma voz bem grave, de autoridade e
importância: "Sao nove horas" (que em portugal se pronuncia: sáo nóvóras
(com o ultimo "s" de carioca brasileiro), isso tudo junto. Aí acaba a música
totalmente, claro né, na sequência imediata vem a locutora dona do programa e
diz: "são nove horas mais três minutinhos". Porque?????? Ñ se sabe. Tudo
bem. Aqueles barulhinhos servem pra alertar que chegou uma hora cheira, mas é
mentira!!! Porque na verdade são nove e três! E interrompem a música, e fica
aquele jinglezinho da rádio, pra depois de 10 segundos vir a dona do
programa e contradizer tudo????

Onde vamos parar? E se paramos em algum lugar chegamos atrasado desse jeito.


Mas tá bom também.

Thursday, September 22, 2005

verdades

Não sei mais o que me inspira. Com toda essa nova vida que tenho vivido, meus pensamentos andam totalmente críticos, analíticos, racionais, lógicos, planejados e mecanicistas. E eu que nem gosto de Descartes.
É. Estou mesmo falando de trabalho. Quem convive comigo diariamente vai pensar: “Lá vem a Marina com o único assunto que tem em mente há seis meses”
É. É isso mesmo.
Minha mente tem me consumido de uma maneira que nunca consumiu antes. Como se um bebê estivesse nascendo, e esse bebê sou eu. E tenho uma bagagem enorme de experiências mas, ainda assim, vejo tudo ao meu redor com olhos surpresos de quem vê o oceano pela primeira vez.
É que tudo é muito novo, tudo novo e essa é a primeira quinta-feira em seis meses que não tenho que dormir cedo pra acordar às cinco da manhã. Então me sentei pra tentar resgatar aquela energia, aquele olhar intenso que busca um pouco de inspiração pra escrever. Mas já que sempre escrevo de mim, não posso deixar passar um momento tão interessante da minha vida.
Eu cresço. Eu aprendo. Sempre despertei primeiro teoricamente e, por muito tempo, ficava me observando a partir de tais aprendizados teóricos, sem conseguir colocá-los em prática. E sempre me achei ridícula por isso. Porque sabia e não praticava. Nada.
Meus impulsos ainda me venciam e minha mente me julgava com olhos maduros de quem não acredita no que vê.
Mas agora, como num passe de mágica, a prática brotou naturalmente e meus passos são mais calmos e tranqüilos, pensantes e analíticos, sem o menor esforço. Sem intenção ou programação. Simplesmente aquela teoria toda se tornou verdade em meus braços, boca, ouvidos e coração.
Não sei se foi meu novo emprego, que de tanto consumir meu lado racional, acabou me transformando ou se, antes disso, minha maturidade me aproximou desse novo ambiente e realidade e apenas fez com que algo que naturalmente aconteceria, acabasse por fim acontecendo.
De qualquer forma, me sinto diferente. E, como não poderia deixar de acontecer a um ser tão pensante como eu, tenho inúmeros novos questionamentos.
Digo pensante não no sentido florido de ser, mas com um sentido de quem se questiona, se permite ter dúvidas de si mesmo. Sempre tive várias. Eu me duvido. E não num sentido negativo de ser, mas com um sentido Socrático de quem sabe que realmente não sabe nada.
Um outro ponto interessante desta estória é que, agora, sou contestada. Contestada diariamente. Por uma pessoa que admiro.
Isso faz com que eu me confunda muito mais e jogue no lixo verdades antes tão absolutas. Percebo agora que eu, que nunca acreditei em verdades absolutas para o mundo, construía pseudo-verdades absolutas para meu mundo particular. Máscaras. Eu que sempre as critiquei tanto.
É bom encontrar pessoas inteligentes e assertivas pelo caminho.
Eu quero, de verdade, ser uma excelente profissional. Quero ter idéias boas, inovadoras, quero conseguir enxergar as pessoas como extensões de meus pensamentos e força motriz. Quero poder duvidar mais de mim mesma do que dos outros.
Eu mudei. Isso é um fato. Mas como sou um ser mutante, isso não é nenhuma novidade.
Falando em mutante, a última vez que fui ao cinema assisti Sin City.
O único comentário que tenho, já que não sou nenhuma crítica de cinema, é que me identifiquei com a negona guerreira. Gostei do enredo, do peso, até da violência que me causou risos sinceros e relaxantes. Saí antes do filme acabar, então aproveito a oportunidade pra pedir desculpas ao Michael Rouke porque não sei se ele morreu.
Além disso, nesses últimos seis meses, não comprei nenhum CD. Mas gravei alguns. Já entrando na onda de “burning CDs” (sem apóstrofe, pelo amor de Deus).
Um que recomendo, com certeza, é o Unkle (que, aliás, é o que ouço enquanto escrevo). Como sou sinestésica, prefiro falar que “só ouvindo pra sentir”. Mas que é muito bom, isso é.
Tenho sentido falta de carinho, mas isso não me fere. Tenho sentido ansiedade, mas isso não me tira o sono.Tenho sentido saudades de estórias que inventei, mas isso não me aborrece além do esperado naqueles momentos de silêncio e escuridão. Espero a hora certa.
O que me tira o sono, agora, é o endomarketing, os documentos, as ligações, as reuniões, os planejamentos e a bagunça na sala do meu chefe que não sei como arrumar. Meu quarto é uma zona. Sou desorganizada, esquecida. Sou leve demais.
E acho que devo mudar o tema dos meus textos. Falar de mim já deu o que falar. E quando quis um único e pessoal retorno honesto, ele não apareceu. Voou por aí, subjetivo e incerto. Igualzinho a mim.
Termino este texto falando sobre Kant, porque o conceito dele tem feito parte dessa minha nova fase. Kant dizia que existem limites tanto pra razão quanto para a percepção, mas que ambas são complementares em si e necessárias para um saudável equilíbrio. Assim como as características do mundo externo só são apreendidas pela percepção (como tempo e espaço), a maneira de interagir com ele só pode ser definida pela razão. E é a razão que me fornece o único alimento que apenas o ser humano pode provar: o livre arbítrio.

Friday, February 04, 2005

tóca rólin stôneeesss!!!

sabe quando vc sai totalmente da sua rota? Quando os sentidos e os costumes falam mais alto e mais forte e te conduzem por caminhos tão prazerosos e ao mesmo tempo tão conhecidos?
É muito difícil romper padrões. As músicas são as mesmas, o copo é o mesmo e a energia é a mesma. Apesar dos rostos serem diferentes, o coletivo é o mesmo, idêntico a tantos outros já vistos anteriormente em inúmeras situações idênticas.
Mas não sei se é realmente difícil quebrar tais padrões ou se é uma questão de transformação da própria essência.
Será que é possível transformar a essência?
Essa busca que tenho vivido, ainda que em fase fetal, me pede mudanças e transformações de hábitos e tendências que ainda não me sinto preparada a incorporar como uma verdade minha.
Continuo noturna. Soturna. Musical. Lisérgica. Tempestuosa. Solta. Idiossincrática.

Wednesday, February 02, 2005

observações de um noite qualquer

Hoje, que não estou me sentindo nada bem, vou tentar escrever algumas coisas... talvez o físico cansado abra portas pra percepção. Se bem que já é sabido que corpo e mente andam juntos, sempre em busca de um equilíbrio saudável. Mas eu não sou tão saudável assim.
Fui numa festa de aniversário no domingo passado e vi cenas bem interessantes. Vi casais apaixonados se olhando com um olhar tão bonito e cúmplice que desejei o mesmo olhar pra mim, vi sorrisos de amizade, vi cansaço e amargura. Ouvi música que aproxima pessoas em afinidade e sintonia. Vi a música (é, eu vejo música) entrar nos ouvidos das pessoas e trazer à tona emoções contidas, guardadas ou até asfixiadas pelo contexto do real.
Fiquei pensando sobre o real e tentando buscar respostas menos óbvias, mas todas as minhas conclusões são óbvias e às vezes me espanto com minha frieza. Porque nada mais me assusta.
Meu olhar é de resignação.
Mesmo assim, meu sorriso continua belo e verdadeiro. A esperança ainda habita minha alma.
Pensei sobre o salto alto. As mulheres não vivem sem salto alto. Ele embeleza, deixa a mulher mais sexy. Mas, não raro, ele machuca o pé, faz bolha, faz mulheres menos experientes andarem como patas chocas. O salto pode quebrar. Ficamos vulneráveis.
Ou seja: violência e paixão.
Também tenho pensado muito sobre o ego. Das pessoas e meu.
Pra falar do meu ego, eu precisaria me descartar dele e olhar de fora? Ou ele pode ser um companheiro compreensivo e paciente que vai ouvir calado todas as minhas críticas? Será que é ele que tá me dando febre? Como resposta ao meu despertar e agora constante análise sobre a necessidade dele em minha vida... preciso dele, sim. Mas também sei que essa amizade pode não ser saudável.
Quero conseguir atingir aquele ponto onde pode-se viver na confusão mas, ao mesmo tempo, se manter distante dela com um olhar contemplativo à distância. Acredito que isso só seja possível quando se tem domínio sobre o ego. Quando o essencial deixa de ser a simples satisfação dos sentidos.
Em inúmeras ocasiões, lutei contra meu ego. Lutei e venci. Me despi da necessidade de ser admirada, respeitada e qualquer outra "ada" de que poderia necessitar pra me sentir bem. Pra mim foi vitória, mas como resposta tive o silêncio. Porque é difícil mesmo, conseguir perceber uma atitude nua e, ao mesmo tempo, se despir também, pra poder sentir a essência de um ato desses. Porque não basta receber. É preciso devolver o mesmo desprendimento.
Não que eu cobre essa postura das pessoas (porque a cobrança é meu ego batendo o pé como uma criança mimada "eu quero! eu quero!").
Não cobro nada, ou tento não cobrar. Como um exercício difícil de geometria analítica. Mas, assim como a geometria é pura análise racional, faço o possível para me manter atenta e tornar a tarefa simples, como a construção de uma frase.
Esse texto não tem conclusão porque ainda estou no jardim de infância da minha busca. Sou um cocozinho no mundo. Mas pretendo relatar minhas descobertas e conquistas. E os erros e enganos também.


Saturday, January 29, 2005

que merda é essa?

Bom, eu ainda tô fuçando em tudo, descobrindo todas as incríveis possibilidades e inúmeras vantagens de se ter um blog.
Eu li numa matéria, um dia, que o cara que inventou o blog ficou louco. Tinha uma foto dele. O cara é cabeludo, barbudo e um crânio. Cansou dessa vida mundana e se refugiou no meio do mato, sabe-se lá onde porque não quis deixar o endereço. Vai ver que, num surto de questionamentos existenciais, percebeu que é muito melhor falar consigo mesmo.
A maioria dos "crânios" tem problemas de cunho emocional e psicológico: não é preconceito, mas essa galera extremamente inteligente é muito esquisita mesmo: a esposa do Einstein tinha que colocar a comida dele no pé da porta. Ele abria rápido pra pegar a quentinha e se trancava de novo, ficando assim por semanas. Sozinho. Quieto. Pensando.
Enfim, estou tentando descobrir que porra o cara tinha na cabeça quando inventou isso. Tá, estamos na era da comunicação e tal. As pessoas se escondem por trás de telas de computador pra mascarar seus medos e inseguranças e tal. Esse blá blá blá que a gente (?) conhece.
Ali, aquela interrogação, é a pulga atrás da minha orelha.
A dúvida (na verdade tô é desconfiada): do fundo do meu coração, não acredito que alguém vá ler esse texto. Talvez meu amigo Vini, o responsável por essa minha nova empreitada. O incitador. O cara!
Por que que eu escrevi " a gente" e não simplesmente "eu" ?
Parece mesmo que tô escrevendo pros outros. Dá uma sensação de coisa pública. (contextualmente é óbvio, mas estou falando de sensações).
Ninguém é dono de nada e agora não sou dona nem dos meus pensamentos.
Mas ainda acho que ninguém vai ler. Acho que vai ser um diário daqueles que eu tinha com cadeado e nem tinha segredo nenhum, mas vivia trancado. E a chave escondida. E eu entrava em pânico quando meu irmão pegava. Eu ficava pensando e pensando, tentando inventar algum segredo pra poder esconder no meu diário. Eu não tinha nenhum.
Mas enfim, como o cara do blog ficou (mais) louco de tanto pensar nisso e chegou à fantástica conclusão de que é melhor falar pra dentro, pego carona nessa idéia e falo aqui, pra mim.

querido diário...