Coleção de letras esculpidas em frases. Que dizem algo ou não dizem nada. Uma pretensão qualquer.
Friday, November 07, 2008
Obama, o círculo completo
Demétrio Magnoli
Pouco depois da meia noite (duas da madrugada de Brasília), ontem, a CNN proclamou a vitória de Barack Obama na Virgínia, um resultado tão extraordinário quanto previsto pelas pesquisas. Richmond, na Virgínia, foi a capital da Confederação e, após a Guerra Civil, o laboratório das Leis Jim Crow, a legislação de segregação racial nos EUA. Desde 1968, invariavelmente, uma Virgínia ofendida pela Lei dos Direitos Civis, passada pelo democrata Lyndon Johnson, ajudava a eleger presidentes republicanos.
O voto da Virgínia representa, na história dos EUA, o que a queda do Muro de Berlim representou na história da humanidade: um julgamento sobre o mal.
Fora dos EUA, anti-americanos de esquerda e de direita – há os dois tipos, que se abraçam na hostilidade compartilhada à democracia – asseguram não existir nada em jogo nas eleições americanas. Os cidadãos americanos não concordam, evidentemente, e por isso entregaram-se como há muito não se via ao jogo político que terminou ontem. Eles imaginaram estar fazendo história – e estavam certos.
Barack Obama encara três desafios e será julgado pelo que fizer com eles. O primeiro é de política externa: adaptar os EUA a uma ordem mundial que não se parece com a “Nova Ordem” da hegemonia americana proclamada por George H. Bush, o pai, no discurso de 11 de setembro de 1990 sobre o fim da Guerra Fria. George W. Bush, o filho, a partir de um outro 11 de setembro, o de 2001, engajou-se na aventura neoconservadora da “reforma do mundo” pela força das armas. O fracasso dessa aventura, junto com o colapso financeiro atual, descerram o cenário de uma ordem multipolar, na qual os EUA não são a “Nova Roma”, mas o primeiro entre pares. Há quatro anos, Obama alçou-se ao centro do palco político americano em virtude do conteúdo do discurso que pronunciou na Convenção Democrata de consagração da candidatura de John Kerry. Naquele discurso, ele delineou um programa de conciliação entre o “famoso individualismo” americano e o imperativo da coesão social, que exige não deixar ninguém para trás. Toda a sua campanha presidencial estava prefigurada ali. Obama sabe que os EUA são tanto Franklin Roosevelt quanto Ronald Reagan – e que o sonho americano depende do cuidado com o vaso de porcelana no qual convivem os dois princípios opostos mas complementares.
O segundo desafio de sua presidência é restaurar o motor do sonho americano, emperrado há sete anos, ao longo de um ciclo de expansão acelerada do PIB no qual a renda do trabalho estagnou ou retrocedeu. Ele terá que fazer isso em meio à pior crise econômica desde a Grande Depressão dos anos 30.
O terceiro desafio começou a ser cumprido na madrugada de ontem, quando os cidadãos americanos o escolheram para presidir a nação. A mensagem emanada das urnas, que a imprensa tem certa dificuldade para interpretar, foi: raça não existe. O povo dos EUA mirou-se no espelho e revisitou seu próprio passado. Com a atitude de um professor que risca um parágrafo errado e o corrige na margem do caderno, os eleitores produziram o esboço de um futuro pós-racial para o país. Como a crença em bruxas, fonte de tantos crimes na Idade Média, a crença em raças oriunda da ciência e da política do século 19 pode ser vencida.“Como todo mundo, eu gostaria de viver uma longa vida. A longevidade tem sua importância. Mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus. E Ele me permitiu subir a montanha. E eu vi lá de cima. E enxerguei a terra prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que saibam que nós, como um povo, chegaremos à terra prometida.” Martin Luther King pronunciou essas palavras há 40 anos, no 3 de abril de 1968, um dia antes de ser assassinado em Memphis, no Tennessee. “Nós, como um povo” não eram os negros americanos, mas todos os que acreditam na promessa de “uma união mais perfeita” inscrita na Constituição. O triunfo de Obama forma um círculo completo. A terra que King conseguiu ver está agora ao alcance da nação americana.
Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana, é colunista de O Globo.
Sunday, October 05, 2008
O medo causado pela inteligência
René Descartes
Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal:
"Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo uns trinta inimigos. O talento assusta".
E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil.
Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:
"Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma Ciência."
Quem não conhece uma pessoa medíocre, aquela que possui poucas qualidades, pouco valor, pouco merecimento e que vive a margem da razão. Apesar de parecer fácil identificá-las, não as confunda com pessoas burras ou pobres, pois existem diversos graus de mediocridade e cada um de nós já passou por alguns deles, mas existem pessoas que se perderam nesta viagem, e não evoluíram para a fase seguinte.
A prova disto está por todo o lado: Governos, empresas que não entendem de gestão de pessoas, estudantes que compram provas e trabalhos escolares, pessoas que lêem resenhas de livros e dizem tê-lo lido todo, analfabetos funcionais, aqueles que preferem assistir uma novela a ler um livro, enfim todos aqueles que direta ou indiretamente atrasam o desenvolvimento humano, seja por ignorância, seja por preguiça, seja por suas crenças, seja por teimosia, seja por dinheiro, ou seja, até mesmo por burrice.
O contato com a mediocridade gera mais mediocridade. Eles são um perigo que anda a solta, espalhando mais mediocridade, impunemente. Se afaste deles, mas se por acaso você for um deles, se esforce e evolua para o próximo estágio da vida. A única dificuldade é que geralmente medíocres não se reconhecem no espelho, por isso nunca deixam de ser medíocres.
Mas existe um teste muito simples para saber se você está evoluindo para o próximo estágio da vida: basta olhar no espelho. Se você reconhecer uma pessoa medíocre bem na sua frente, já estará a apenas um passo de transcender para a próxima fase. Agora basta querer, a escolha é sua.
Eu faço o teste freqüentemente, e algumas vezes não gosto do reflexo que o espelho me mostra.
Na sua obra "A Divina Comédia" de 1321, Dante Alighieri já apresentava um destino bem interessante para as almas das pessoas medíocres: Mal passavam pela porta do inferno, já eram barrados, não podendo nem cruzar o rio Aqueronte:"'Mestre, que ouço agora? Que gente é essa que a dor está prostrando?'".'Queixa-se dessa maneira', tornou-me, 'quem viveu com indiferença a vida, sem ter nunca merecido nem louvor nem censura ignominiosa. Faz-lhes companhia um grupo de anjos mesquinhos, que a Deus não manifestaram nem fidelidade nem rebeldia, pensando apenas em si mesmos. Foram, com desdouro, expulsos dos céus; nem o inferno profundo os acolhera, pois os anjos rebeldes se jactariam de lhes serem superiores em algo.'
'Que dor tão cruel se apodera deles e os faz gritar, urrar tão fortemente?', eu perguntei. 'A razão disso é simples', respondeu-me ele.' Não lhes é permitido esperar o descanso da morte, e, com sina tão vil e abjeta, passam a invejar qualquer outra sorte. Seus nomes passaram no mundo sem deixar marca; o perdão e a justiça divina os desdenharam. Mas não desperdicemos mais tempo com eles; olha-os e segue em frente.' "".
Fico meditando e analisando quantas e quantas pessoas tem algum conhecimento diferencial aos que a humanidade convencionou em chamar de "normal", um talento especial e estão enclausurados em sua casca de ovo, por toda uma vida, não confiam em si mesmos, em suas qualidades ou por não terem oportunidade de serem vistos. Quaisquer que sejam os motivos, nunca poderão demonstrar ao mundo o seu brilhantismo.Quantos campeões olímpicos estão adormecidos por falta de incentivo, quantos cantores (as) fantásticos estão sucateando o seu talento no lugar errado por não terem uma oportunidade, quantos executivos estão com as carreiras estagnadas por estarem na função errada, quantas obras literárias maravilhosas estão engavetadas por seus autores e nunca poderão ser apreciadas pela Humanidade, quantas pessoas estão cursando a Universidade errada, quantas pessoas têm idéias brilhantes que não são aproveitadas.
Entretanto, encontramos inúmeros exemplos de pessoas medíocres e sem talento sendo bem sucedidas. Basta ouvir um pouco de música, ver um pouco de televisão, circular pelos corredores de algumas empresas, olhar nas prateleiras das livrarias, que você as encontrará.
Quanto talento estará sendo desperdiçado diariamente por falta de autoconfiança ou incentivo.
Não sou um poço de auto-confiança e muitas vezes duvido de minhas capacidades. Mas assumo minha mediocridade com olhar otimista de quem sabe que pode, e deve, deixar uma marca por onde passa.
Não almejo ser melhor que os outros. Mas desejo profundamente que meu talento não seja desperdiçado. E assim vivo.
Wednesday, September 17, 2008
Pra conhecer o Seu Lourival
Alguns segundos de foco e só.
Fora, mendigos com frio. A noite é fria.
Marcado em minha memória. Por um leve toque em meu coração.
Monday, September 08, 2008
O ar que respiramos
Monday, August 18, 2008
Pin-ups
No século 20 surgiram, quando imagens de mulheres em poses sensuais passaram a ser apresentadas em calendários, pôsteres e o teatro de revista transformava mulheres em estrelas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, encontraram seu auge, estampadas em paredes de dormitórios, portas de armários e até na fuselagem de aviões, prontas para alimentar carentes soldados americanos, sedentos por um corpo de mulher.
Nada mais eficiente do que uma mulher gostosa pra apagar da mente de jovens soldados todos os horrores da guerra.
Explica-se porque, num país retrógrado e conservador como os Estados Unidos, este tipo de arte foi tão incentivado pelas autoridades militares.
De 1942 a 1946, 9 milhões de exemplares da revista Esquire são enviados gratuitamente para as tropas.
Só mesmo a Guerra para gerar preciosidades como esta.
Punhetagem política, típica do Tio Sam.
E então ela surgiu. Marilyn Monroe. A personificação do ideal da Pin-up. Nenhuma outra mulher caracterizou com tanta perfeição a realidade de uma pin-up: linda, sensual... e triste. Vista como uma peça moldada, sem personalidade e facilmente descartável.
E assim seguiu por toda a sua curta vida. Tentando ser levada a sério. E já sabemos no que deu.

Artistas como Gil Elvgren, Earl Moran, Zoe Mozert e tantos outros, deixaram uma extensa obra, digna de apreciação.
É o misterioso e fascinante universo feminino. E é arte. Lindos de se apreciar em todas as suas formas.

Friday, August 15, 2008
Marie MacGillis and the Jazzabilly Blues

Wednesday, August 13, 2008
Uploaded
Certo, já aprendi.
E agora recomeço. Com novo foco, nova idéia e novo direcionamento para o blog.
Menos subjetividade, talvez.
Ainda não sei bem ao certo o que vai acontecer... vamos esperar pra ver no que vai dar.
Wednesday, February 06, 2008
Um pouco de lucidez
Tenho tido vontade de chorar e ainda não encontrei o motivo. Não há motivo e todos os motivos do meu mundo se concentram em minha tristeza, no olhar pedindo socorro com a voz embargada.
Minha voz se calou. Tenho vivido o silêncio. Silêncio das perguntas, dos eternos questionamentos e incansáveis inconformismos.
Eu não me conformo. Não me conformo.
Eu dentro do todo e o todo me consumindo e eu me sentindo consumida e lutando contra e indo contra a maré. Mas a maré está em toda parte, corre para todos os lados, ela não é ascendente ou descendente. É fragmentada. Como tudo ao meu redor. Fragmentos de toque, fragmentos de paixão, de verdade.
Nessa maré sem ida ou vinda eu flutuo, percebendo todos os movimentos do mundo e implorando por um descanso, um alívio, um amparo.
Um simples sopro de verdade em meus ouvidos.
É que vejo tudo raso. Tudo raso. E sinto vontade de chorar e ainda não descobri por que.
Quando acordo, peço por uma gota de sentimento puro em meu café. E peço também uma pouco de entrega, uma porção de intensidade. Peço paixão.
Porque sem isso não vivo. Porque a maré me leva, nela vejo tudo e dentro do todo eu tento.
Tento entender esses fragmentos, tento juntar cacos do que sobrou da humanidade. Tento quebrar a geleira, entregando minha alma por todos os lugares onde passo. Quero minha alma escancarada e brilhante, solta e intensa, alegre e apaixonada.
Mas é frio. Lá fora é frio e raso. Pós-moderno no ar. Fragmentos, partículas, desmembrações, espetáculos, ambientes digitais, cibernética, desestetização, desdefinição, performances, Nietzsche, niilismo. Isso tudo tem me confundido.
Ainda sinto a voz embargada e os olhos meio úmidos, ainda vivos, mas não mais tão lúcidos. Ou talvez mais do que deveriam.
Talvez a tristeza não seja tristeza. Talvez seja medo.
Não, eu não tenho medo.
Inconformismo somado à dura constatação de que é assim mesmo e ponto. Pronto.
Me confundo porque nessa sopa em pedaços eu ainda busco um todo, mas mesmo o todo tem seu lado vazio. Ainda busco o humano quando deveria pensar em Megabytes. Busco o intenso quando deveria aceitar que as ideologias não servem pra mais nada. Busco o profundo quando deveria me divertir com o bizarro, me alegrar com o pink da noite paulistana.
Eu me alegro com a lua.
Mas a arte me seduz, me aponta uma resposta. Ela, que retrata tudo isso que não entendo, me seduz e me faz sorrir. Me faz sentir em casa, no lugar e tempo certos. Me tira da margem, me puxa para o centro e diz: Vem! E eu vou! Sorriso no rosto, interagindo e compreendendo, buscando e encontrando respostas não-verbais. Audíveis. Visuais. Virtuais!
Thursday, January 17, 2008
Multiplique-se
Prezo pela simplicidade de ações, atitudes e posturas. Eu e meu nome estamos muito bem alinhados. E somos grandes amigos. Gosto de ser Marina.
Há quem diga que é um nome russo, o que me remete a uma lembrança nunca vivida de uma mulher loira, alta, muito magra e de cabelos curtos.
Ou a clássica "do mar". Também simples e óbvio.
Justo eu, que não sou nada óbvia.
Do mar trago em mim a fluidez, a inconstância.
Volume e silêncio.
Tormenta.
No entanto, há que se conviver com um mundo de diferenças, sem verdades absolutas. Há que se respeitar diferentes interpretações de uma mesma realidade.
E então, com muito menos paciência do que indignação, aceito em minha casa correspondências para Marina Pedroso ou Mariana Pedrosa. Ou um, ou outro.
Raramente recebo correspondências para mim mesma, o que poderia ser usado convenientemente a meu favor:
- Mariana? Não, não é pra mim, não. Deve ser a inquilina anterior. Vai pro lixo.
Mas infelizmente minha educação britânica me condicionou a acreditar que o trabalho enobrece o homem e que minha imagem perante a sociedade vale mais do que minha essência e verdade.
A verdade é que sei que sou todas elas e mais diversas cujos nomes são para mim incertos e até desconhecidos.
Recebo a todas, quase com carinho, cuidando para que sequem as que chegam em dias de chuva. E sigo, múltipla, pelos meses e caminhos de minha vida.
Saturday, January 05, 2008
Sangue
Seu gosto pela música se acentuava. Horas trancado em seu quarto, envolto pela inebriante fumaça de um baseado, seus cigarros. Drogas.
Buscava nela o encontro com seus desejos, que de belos não tinham nada. Eram músicas que falavam de raiva, cinzas. Ele tinha o inferno nas veias e gostava. Seus poucos amigos certamente compartilhavam do mesmo anseio e buscavam em instrumentos musicais uma forma de gritar ao mundo.
Gritar sobre o podre, sobre a hipocrisia, sobre o medo e o caos. Sobre tudo que é mascarado. Instintos animais, angústia, dor e lágrimas.
Paradoxalmente, seu amor crescia a cada dia, na mesma proporção em que sua música tomava corpo e suas composições surgiam mais profundas e assustadoras. Aquela menina de cabelos negros e longos sabia como amá-lo. Oferecia seu corpo quase como em sacrifício. Era inteira, era entregue. Não tinha vergonha de mostrar seu sangue. Sangue morto que de suas pernas escorria. Ele gemia de prazer ao sentir o sangue quente escorrendo entre seus dedos.
E os anos se passaram.
E, de alguma forma, ele teve que buscar seu sustento. A música tocada não provia aquilo de que necessitava. Era preciso ter um ofício.
E foi então que ele teve uma grande idéia: Alimentar o mundo!
Alimentaria o mundo com sua verdade. Daria às pessoas o sangue que a ele dava tanto prazer. Brilho em seus olhos! Excitação e alegria! Ele sabia! Havia encontrado uma forma de inserir sua verdade dentro das pessoas do mundo. Em suas veias, em seu ventre estaria ele. Em seus orgãos, excrementos. Lá ele viveria.
E foi quando abateu sua primeira pequena vítima, que andava sozinha pelas ruas escuras no retorno à casa após uma cansativa noite de aulas.
Não teve forças para reagir.
E, após cortá-la com delicadeza e exatidão, eliminando suas gorduras e fibras, a ofereceu ao público no açougue onde trabalhava.
Saturday, September 15, 2007
Ellen

Cara,
E de repente veio essa necessidade de escrever algo pra você. Especialmente pra você.
Pensei em mandar por email, mas não seria tão especial assim...
Não que postar uma mensagem num blog raramente visto torne as coisas mais especiais.... ou que o local de postagem torne as palavras mais especiais.... já que são igualmente virtuais.
O fato é que voltei a escrever e tem que ser pra você. Especialmente.
Esse tempo que você esteve aqui foi tão bom. Tão certo. Tão definitivo. Acho que esse foi meu erro: acreditar no definitivo.
Acreditei demais no definitivo do tempo, da nossa amizade, do sentimento. Faltou semeio.
Acreditei que estar lá seria o bastante pra ficar bem, pra ficar contente.
Vai ver é por causa da distância... durante aqueles anos, eu ficava bem por saber que nossa amizade estava viva mesmo com pouco contato, com poucas palavras.
E então, você veio. E agi como se ainda estivesse lá.
Porque estava certo. Estava pronto.
Não consigo pensar em você sem ter vontade de chorar e está doendo ainda.
Dói não ter resposta pra algumas perguntas como:
“E aquele sábado, por que não fui?”
“E aquela quarta? Por que não apareci de surpresa, só pra dar um oi?”
Esse tempo tem me deixado cada vez com mais perguntas.
Cada vez mais me questiono onde estou nessa vida toda, em todas essas atividades e deveres e rotina. Onde estou?
Nessa necessidade de construir uma estória, nessa constante carência. Nesse insolúvel desejo de ter um sorriso espontâneo no rosto, como ao concluir um longo projeto ou ver um jardim pronto, após meses de árduo semeio.
Ellen, sempre te semeei. Com a água, os desenhos, as risadas e as palavras.
E sua partida me doeu tanto.
Como quando alguém morre.
Fiquei com aquela dor da consciência de que não se disse tudo, de que os abraços poderiam ter sido outros, de que as palavras poderiam ter dito mais.
Talvez agora você entenda o que já tentei explicar.
Cara, eu queria mesmo que você estivesse ainda perto. Queria mesmo poder tomar aquela cerveja ou ir àquele show de blues que não fomos. Queria te apresentar aquele lugar que não te levei. Queria tantas coisas que jurei que faria quando você estivesse aqui, porque todas as vezes que estive nestes lugares, te via junto, sorrindo aquele sorriso de “Ah... isso é bom demais...”.
Mas dizer isso tudo é ainda pior. Esse papo é clichê demais pra ser um texto especial.
Então te peço pra me desculpar, simplesmente. E me esperar.
Porque essa vida só me ensina, a cada passo errante que dou.
E na próxima vez que nos encontrarmos, vou sorrir um sorriso tão aliviado... não vejo a hora.
Te quiero, nena.
Não foi nada especial esse texto. Faz tempo que não escrevo... estou sem adjetivos e verbos e construções frasais decentes.
Thursday, June 14, 2007
Tuesday, April 17, 2007
Monday, April 09, 2007
Quer saber?
Vou te contar...
Vou te contar que fico em silêncio quando é meu coração quem fala
Todo medroso, todo frágil...
Vou te contar que tudo aquilo que se vê
É verdadeiro
Mas esconde em bloqueios e frieza
Uma vontade de paz, de calma, aconchego.
Coisas do coração...
Te conto também que é cada vez melhor
E quanto melhor fica, menos tenho vontade de usar palavras
naqueles momentos que só a gente sabe.
Porque prefiro dar voz às sensações, ao olhar
Eles dizem tanto!
E fico assim, quieta, me escutando
Tentando tirar de cena meus receios.
Ouve meu silêncio...
Ele é tradução dos meus poucos momentos de serenidade.
Saturday, March 03, 2007
O MITO DA MAÇÃ DA DISCÓRDIA

Friday, March 02, 2007
Vamo vivê!!!
Que bom que meu coração, no final das contas, acaba vencendo meus pensamentos pré-concebidos. Que bom que a razão, no final das contas, só serve mesmo pra justificar em palavras ou conceitos, a emoção que vem. Assim. Simplesmente.
Que bom que tudo foi assim.
E que bom que meus zeros e meus uns são bacanões assim!
Monday, February 05, 2007
meu silêncio
Tenho preguiça de explicar coisas que nem mesmo sei.
Tenho preguiça de explicar que não sei.
E gostaria que meu silêncio falasse por si só.
Gostaria que mostrasse minha fragilidade.
Mostrasse como me sinto e como ainda não tenho as respostas que tanto busco.
Gostaria que o silêncio preenchesse, ao invés de criar o tão conhecido incômodo imposto pela falta de palavras.
Paradoxo desconsertante, já que me incomodo tanto com o silêncio do mundo.
Friday, January 19, 2007
Henry James
Thursday, January 18, 2007
Curvas
O que sinto é curvo.
Como em câmera lenta.
O piscar de olhos é lento e todo o corpo se movimenta suave e delicadamente.
Ao fundo, a música se confunde ao ritmo do que se sente e não se sabe mais se é ela ou o olhar quem determina o tempo.
Ambos se fundem.
As palavras...as palavras são poucas, já que a luz é escassa.
As mãos tocam o corpo e são suaves, delicadas.
É amor.
Sou capaz de amar.
Já amei momentos. Já quis momentos de amor.
Agora quero o fluxo, quero um fluxo contínuo e crescente.
Quero o olhar pesado e o sorriso lento.
Sorriso lento de certeza. Aquele que sabe, que sente.
Sorriso lento. Que vem diretamente do coração.
Sem pressa.
Mesmo que seja madrugada e que o sol apareça em breve.
O sono chegando com a alvorada.
Quero o sono tranqüilo de amor.
13/01/2007
Wednesday, January 10, 2007
... e seguindo
Começo de ano me sentindo tão diferente... muita coisa acontecendo (aqui dentro) e eu pensando em tudo o que vejo.
Continuo pensando muito. Penso mais do que falo. Falo mais do que faço.
Mas isso está mudando...
Meus últimos dias de 2006 foram deliciosos...
Encerraram um cíclo, cumprindo seu papel.
E novos momentos me aguardam, lá na frente, de braços abertos, sorrindo pra mim.
Fluxos diferentes. Pessoas diferentes. Lugares.
Comecei o ano dando mais espaço pra mim. Assim, naturalmente.
E, de cara, resolvi pegar o elevador, ao invés de subir só mais um degrau.
Agora rezo para Nossa Senhora do Atlas Schindler.
Wednesday, December 27, 2006
Primeira pessoa
E humildade pra admitir que tudo (ou quase) o que se escreveu foi um grande engano.
É preciso uma boa dose de ousadia para iniciar novos versos.
É preciso delicadeza pra se acariciar
E olhos vivos pra enxergar
E perceber com clareza
A morte
Que anuncia a chegada de um novo ser
Que, no entanto, sempre esteve ali.
22/12/2006
Noite de verão II
O som que fazem se encaixa no ritmo da música e ambos se misturam, se entrelaçam. Me fazem sorrir.
Fico com vontade de fazer algum som com meu corpo, pra que eu possa entrelaçar meus braços e pernas deles também.
Quero fazer parte desse canto.
Então escrevo com compasso e movimento – sem esforço - e meus pensamentos são curvos e extensos. Meu corpo respira e se estica. Danço a formação das palavras.
A noite é de verão e estou sozinha.
Lá fora, uma brisa morna. Às vezes faz curvas pra se encontrar com meus pensamentos e toca meu corpo como que dizendo: “Eu sei...”
Arrepia os pêlos do meu corpo.
Aprendo aos poucos a sentir minha fragilidade. Meus olhos suaves como a brisa, como a música.
Nós três unidas, nessa noite de verão.
20/12/2006
Tuesday, December 12, 2006
Dois diálogos
“Sinto-me tão acolhido por ti que sou capaz de dormir”
“Motivada pela doçura de suas palavras, mas também pelo seu crédito em meus empreendimentos, não posso deixar de dizer que seus cílios me encantam”. Sinto-me compelida a acreditar que eles estão aí para (me?) seduzir, mas confesso que fico confusa entre as idéias de sedução ou feitiço...”
“Informo-te que fiquei surpreso com teus dizeres em relação aos meus cílios. A meu ver, apenas uma mulher com o grau de sensibilidade como o teu, seria capaz de atribuir valor a algo tão singelo como os pequenos pêlos que crescem nas extremidades das pálpebras e que possuem a importante função de evitar que partículas sólidas suspensas no ar entrem em contato com os olhos.”
... sedução, sinto em discordar na sua utilização. Sedução, a meu ver, envolve certo grau de dominação, característica ligada às pulsões sádicas. O termo que eu utilizaria seria conquista...”
“Em relação à sedução, tenho uma pergunta: juras, que em suas conquistas, não há sempre um pingo de sedução? Se não houver, quando amamos devemos deixar o amado livre?”
“Granjear é cultivar (a terra). É nesse sentido que utilizo a palavra conquistar! O granjeador não está preso a sua plantação. Ele faz isso por que lhe traz satisfação! E o melhor: ele pode vivenciar a gratidão em relação a sua terra quando, após um período de dedicação, ela lhe traz belos frutos. Isso aumenta a interação entre os dois e me leva a fantasiar que a terra também o ama.”
“Difícil aceitar a igualdade. Difícil perceber que o que se quer pra si, deve ser permitido ao outro. Que o afago recebido deve ser proporcional ao que se dá. Assim como o silêncio ou a distância.”
“Porque toda estória de amor se escreve com, no mínimo, dois personagens. São dois mundos que se cruzam, são dois universos em constante expansão. Milhões de moléculas se quebrando, se rompendo, se comprimindo, morrendo, expandindo, nascendo. Tudo ao mesmo tempo. Somos, naturalmente, um buraco negro de confusão existencial.”
“Ele tem os próprios acentos e vírgulas e possibilidades de frasear o mesmo parágrafo.”
”O que somos obrigados a fazer é cultivar o respeito ao próprio coração.”
“Se sou eu a representante da palavra SEDUÇÃO nesta história, como pude deixá-lo livre? E ele, sendo o representante da palavra conquista como pôde querer me dominar?... Incoerentes estas idéias deste povo monogâmico, não?”
“Mas aí a gente tem que transcender essas idéias tolas porque isso é ego. Pra mim é puro ego.”
“Entenda ou não, saiba ou não, enxergue ou não, aqui dentro tem um coração poderoso e brilhante que pulsa, pulsa por aí tentando se encontrar. E um dia, natural e tranquilamente, um olhar vai se cruzar com outro. E tudo vai se entender sozinho. Ahhhh... o que seria da minha vida se não fosse romanceada?”
“Bingo! É isso que eu queria que ele entendesse. Sabe, talvez numa próxima encarnação, poderiamos nos encontrar?! Melhor ainda se não tivessemos egos!... mas aí nasceríamos como fada e "fado", por que somente estes seres fantásticos, se é que eles existem, não o teriam - este maldito.”
Ah! E nossa vida, bendita seja, será sempre romanceada! Ainda bem que vc existe na minha vida amiga, senão estaria perdida, no meio de dragões, carruagens e castelos que (olhe a sua volta!) quase ninguem está vendo!
eu amo minha mãe
ela fala: "deus te abençoe e te guarde, minha filha"
(o que ela ainda não sabe é que Deus sou Eu)
O nascimento do prazer
Thursday, November 30, 2006
um sonho
e a força do olhar, e a alegria de cada gesto...
nós sorríamos e sorríamos...
inundados pela simples alegria de estarmos juntos...
fazia tempo que não lembrava tão vivamente de um sonho...
como quando se acorda e ainda se tem nas veias e no coração aquele momento.
era tanta alegria... alegria compartilhada...
sorríamos e nos beijávamos, andando pelas ruas... corpos unidos como se deles fluísse a energia da vida. vida de um para o outro.
acordei ainda inundada... ainda sentindo aquele olhar tão profundo e tão carregado de sentimento...
hoje, levo essa alegria comigo...
apesar da certeza de que foi apenas um sonho... que se sonha só...
Thursday, November 23, 2006
Cada vez mais
“Tenho vivido a reclusão em companhia de um bom vinho e meus sons, porque é o que há de melhor a se fazer nesse mundo de idiotas”.
Como esse tema tem povoado meu pensamento, resolvi dar uma elaborada no raciocínio.
Não que eu tenha dúvidas de que o mundo está, realmente, povoado de idiotas, mas porque sou flexível e adaptável e me proponho analisar se o erro é meu, do mundo ou de nenhum dos dois.
Pode ser, por exemplo, um equívoco.
Posso estar sendo injusta, má, anti-social. Uma bruxa, enfim.
E se sou realmente uma bruxa, quero ter certeza que o sou com argumento e fundamentação.
No entanto, de repente, posso concluir que não sou bruxa nenhuma.
Eu me irrito.
Veja bem, não estou constantemente irritada, não xingo ninguém, não mando ninguém à merda e tal. Tive educação britânica e, mesmo que o desejo seja enorme, não consigo mandar ninguém tomar no cú.
“Ah! Me deixa! Vai tomar no cú!”
Adoraria, com todas as minhas forças, fazer isso um dia.
“Cara, não to a fim de falar, nem de te escutar, nem de sorrir pra você. Então vai pra lá que eu vou pra cá e ficamos bem”.
Me sinto uma cobaia do “Laranja Mecânica”, pois quando penso em falar essas coisas parece que vou cair, rolar no chão e me debater em sofrimento profundo.
Tá, não consigo e pronto. Parabéns papai e mamãe que me educaram direitinho. Sou um doce de menina.
Deixemos claro: isto não é uma prece de revoltada. Nem uma ode à eterna adolescência inconseqüente.
Pelo contrário. Quando eu era mais nova, queria agradar e convencer o mundo de que eu era legal e interessante e “in” e descolada e super gente fina.
E acho que eu era tudo isso mesmo. Talvez até continue sendo.
Só que eu canso.
To com preguiça.
E então, sutilmente (já que não fui educada pra ser explícita) largo minhas tiradinhas pelo mundo. Entendam o que quiserem, compreendam se conseguirem. Mas deixo meus recados de indignação.
Porque as pessoas estão idiotas,sim, meu Deus!
Primeira conclusão: sou uma bruxa inteligente porque sei xingar nas entrelinhas. Sei vomitar sorrindo.
Ponto pra mim.
E cada vez me certifico mais de que um bom vinho, meus sons e minha casa são bem melhores do que qualquer companhia previsível, qualquer baladinha fútil ou porre sem sentido.
É triste, bem sei. A solidão me incomoda.
Mas já tenho subterfúgios pra isso também.
Coloco um blues que me suba pelas veias, que me aqueça o sangue, que me eleve o espírito. Meus pêlos se arrepiam e um sorriso de prazer vaza, involuntário, por meus lábios. E então danço nua, sozinha, sorrindo pela casa. Taça de vinho na mão, luz baixa, som alto. Desejo, movimento, ritmo, curvas. Me abasteço com meus prazeres. Vou me curtindo, me estudando e me fortalecendo em mim mesmo.
“Pra se ter firmeza de vontade moral é necessária certa força física”, diz meu atual companheiro Henri Charrière.
E não estou disposta a abrir meu mundo pra qualquer idiota. Nem em carne, nem em mente.
(e há quem saiba que existem espaço e disposição de sobra para doçura em mim)
(e há aqueles, sem dúvida, que me fariam abandonar minha reclusão em segundos, pelo simples prazer da companhia ou apenas meia dúzia de palavras reticentes... você sabe, você sabe...)
O fato é que minhas noites, o que tenho de Meu depois de um dia cheio de contatos e relações profissionais, são felizes e divertidas. Seja fazendo um jantar bem feito, dançando, lendo, ouvindo música ou, simplesmente, não fazendo nada. Dormir é uma delícia.
Estou de bem com o mundo e as pessoas dele. Sem mágoas, traumas ou desilusões. Apenas vejo-o puramente como é. Não o mascaro, não me deslumbro.
E fico, cada vez mais, de bem comigo.
Monday, November 20, 2006
Saiba quanto já pagamos em 2007. Clique aqui!
Açúcar - 40,4%
Água mineral - 45,11%
Água - 29,83%
Água sanitária - 37,84%
Álcool - 43,28%
Aparelho de barbear - 41,98%
Aparelho de som - 38,00%
Armário de madeira - 30,57%
Arroz - 18%
Automóvel - 43,63%
Batedeira - 43,64%
Bicicleta - 34,50%
Biscoito - 38,5%
Brinquedos - 41,98%
Cachaça - 83,07%
Cadeira de madeira - 30,57%
Café - 36,52%
Cama de madeira - 30,57%
Caneta - 48,69%
Carne bovina - 18,63%
CD - 47,25% (depois reclamam dos piratas!)
Cerveja - 56%
Chocolate em barra - 32%
Cigarro - 81,68%
Cobertor - 37,42%
Computador - 38,00%
Condicionador de cabelo - 47,01%
Copos - 45,60%
Desinfetante - 37,84%
Desodorante - 47,25%
Detergente - 40,50%
DVD - 51,59%
Energia elétrica - 45,81%
Ervilha - 35,86%
Esponja de aço - 44,35%
Farinha de Trigo - 34,47%
Feijão - 18%
Ferro de Passar - 44,35%
Fertilizantes - 27,07%
Fogão - 39,50%
Frango - 17,91%
Frutas - 22,98%
Garrafa térmica - 43,16%
Gasolina - 57,03%
Lápis - 36,19%
Leite - 33,63%
Lençol - 37,51%
Liquidificador - 43,64%
Livros - 13,18% (nos países civilizados o imposto é ZERO)
Macarrão - 35,20%
Margarina - 37,18%
Mensalidade Escolar - 37,68%
Mesa de madeira - 30,57%
Microondas - 56,99%
Milho verde - 37,37%
Molho de tomate - 36,66%
Motocicleta acima de 125 cc - 49,78%
Motocicleta de até 125 cc - 44,40%
Móveis - 37,56%
Óleo de soja - 37,18%
Ônibus interestadual - 16,65%
Ônibus metropolitano - 22,98%
Ovos - 21,79%
Panelas - 44,47%
Papel Higiênico - 40,50% (ATÉ PRA CAGAR!!)
Papel sulfite - 38,97%
Passagens aéreas - 8,65%
Pasta de Dente - 42,00%
Peixe - 18,02%
Pratos - 44,76%
Refresco em pó - 38,32%
Refrigerador - 47,06%
Refrigerante - 47%
Remédios - 36% (porque passagem aérea cobra só 8,65%??)
Roupas - 37,84%
Sabão em barra - 40,50%
Sabão em pó - 42,27%
Sabonete - 42%
Sal - 29,48%
Sapatos - 37,37%
Saponáceo - 40,50%
Shampoo - 52,35%
Sofá de madeira/plástico - 34,50%
Suco concentrado - 37,84%
Talheres - 42,70%
Tapete - 34,50%
Telefone - 47,87%
Telefone Celular - 41,00%
Telha - 34,47%
Tijolo - 34,23%
Tinta - 45,77%
Toalhas de mesa e banho - 36,33%
Transporte Aéreo de Cargas - 8,65%
Travesseiro - 36%
Vassoura - 26,25%
Ventilador - 43,16%
Vídeo-cassete - 52,06%
(mas o que aconteceu na novela ontem, mesmo?)
Tuesday, November 07, 2006
Ode à dentadura
Sei lá o que quero. Vai saber. Talvez saiba um dia. E nesse dia vou ficar bem quietinha porque é possível que eu esteja com uns 80 anos e perceba que o que eu queria era fácil demais pra se conseguir e que perdi muito tempo pensando que, além de não saber o que queria, acreditava que seria difícil demais conseguir, quando soubesse.
Sei lá do meu destino. Vai saber. Quero saber um dia. Quando estiver com 90 anos e vir que meu destino foi o que fiz de mim todos os dias, todas as horas, em cada oportunidade que surgiu em meu mundo. Nessa hora vou olhar pra trás. Quero poder sorrir.
Sei lá porque tenho tanta paranóia. Paranóia de tudo. Vai saber. Devo saber um dia. Espero que nesse dia eu me sinta a mais ridícula de todos os seres da Terra por perceber que eram simples paranóias. Mas espero que haja tempo para viver a vida sem elas. E pare de querer agradar a todos. E balance os ombros. E saia rindo. Rindo, mostrando a dentadura pro mundo.
E que um dia não me sinta a mais ridícula de todos os seres da Terra. Por finalmente saber quem sou, o que quero, saber o que fiz do meu destino, sem paranóias. Nesse dia, vou me abraçar e me beijar. E me achar o ser mais lindo de todos os seres da Terra.
E hoje não sou menos feliz por isso.
Monday, October 30, 2006
pisca-pisca existencial

And I feel good about it.
Monday, October 16, 2006
A esperança que vive em mim
A questão fundamental é: minha retórica, essas construções rebuscadas e palavras floridas... essa merda toda que falo sobre "verdade", "beleza", "arte" e "vida"... são palavras... nada mais do que palavras. Incoerentes e vazias.
Se não ações, se não vividas ao seu próprio custo até que saiam pelos poros, olhos e, bloqueadas pelo medo e pela suposta impossibilidade de opções, não transmutadas em uma Verdade Viva... as palavras são mentiras das mais cruéis, posto que hipócritas e carregadas de covardia e prepotência.
Covarde e prepotente.
É como me sinto hoje.
E só quem encontra uma Verdade Viva pela frente, sabe do que falo. E, se tiver um mínimo de decência, sente-se covarde e prepotente também.
Não faço questão que alguém me entenda.
Sábias as palavras de quem hoje me disse que os encontros não são casuais quando se está em busca da verdade. Talvez isto me conforte um pouco. Talvez seja uma indicação de que, ao menos, há um caminho. Uma tentativa. Uma idéia. Um desejo sincero. Que seja realmente parte de meu coração.
Mas esta constatação não diminui em nada a sensação de pequenez de espírito, fragilidade de valores, incoerência de idéias.
Minha alma não se esquiva (e nisso posso, finalmente, encontrar nela algum valor). Ela se permite assumir sua dor. Transborda em si mesma, ávida por novos horizontes. Ela sofre. E de sua vergonha brota uma gota de esperança.
Que eu viva minha vergonha, então!
Pois somente ela me faz acreditar. Crer que justamente por sentí-la, ainda tenho chances de não me tornar aquilo que jamais suportaria ser.
Que minha vergonha seja o princípio de minha real libertação.
Wednesday, October 11, 2006
Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
Tuesday, September 12, 2006
Música com abraços
Aqui em casa, hoje. Ouvindo alguns dos sons, que a mim você presenteou.
O fato é que você me presenteou com outras coisas, bem mais valiosas.
Músicas são fios, linhas, sopros flutuantes no universo. Que um artista sensível conseguiu captar e trazer compreensível aos nossos ouvidos.
Seu presente pra mim foi ter traduzido de seu universo, formas e composições vibrantes e verdadeiras.
Ouvi seu mundo, muito atenta. E tais formas, tais composições, me fizeram muito bem.
Pois renovaram, em mim, pensamentos e idéias. Sentimentos e desejos. Me abriram os olhos, me tiraram amarras que eu mesmo havia criado. Me expuseram a fatos antes muito bem mascarados por meu inteligente, cruel e pessoal congelamento.
Espero ter te presenteado com um mínimo de alguma coisa também. Seja lá o que for. Pois um dia é possível que a carne macia não faça mais sentido ou não encontre mais espaço num mundo modificado por contextos e outros encaixes.
E é justamente isso que me move a viver minhas estórias.
Um dia, dois ou quatro.
Estórias suficientemente intensas para que sejam guardadas em meu coração com muito cuidado e carinho.
Pessoas com estrelas no ventre que passam a fazer parte da minha vida, injetando em mim porções de beleza, força e verdade.
Como um abraço sincero.
Pra sempre.
Meus abraços foram todos sinceros.
11/09/2006
Que seja...

Hoje percebi a solidão...
Uma sensação exata. Fria.
Não é sofrimento. Não é tristeza.
É só a casa vazia, eu, a música.
Sei que passa.
Que passe, então. Mas que, ao menos, eu não me acostume.
Que eu não substitua o calor por minhas idiossincrasias.
O sorriso compartilhado por minhas estórias inventadas e armazenadas em palavras, pedaços de papel.
Sim, que meu mundo continue sendo meu, meu jeito, minhas estrelas brilhando em meu peito.
Que a alegria me acompanhe fácil, suave e constante.
Mas que eu seja solta. Seja leve e aberta ao que se passa lá fora.
Pois lá fora ainda há boas almas (incrível!).
E as diferenças são necessárias para que meu espírito aprenda e evolua.
E a mágica dos encontros inesperados ainda se apresenta em meu caminho.
Que eu ame. Que eu grite. Que de mim continue brotando apenas verdade. Minhas verdades.
Mas que nasça em mim o ímpeto para compartilhar.
O desejo de aceitar e doar flores.
E, por hora, que meu sono continue tranqüilo.
11/09/2006
Wednesday, August 23, 2006
Você sabe?

Sabe assim...
Sabe quando é uma delícia não racionalizar e deixar que a poesia tome seu curso?
Sabe? Você sabe ficar sozinho?
E se permitir um banho de poesia...
Com a poesia da música penetrando nos poros e a poesia do espelho, leve... e no entanto intenso e obscuro, inundando as veias de prazer... e a poesia da imaginação creando absurdos... pois, realmente, é preciso crer em alguma coisa, de alguma forma, por mais fugaz que seja.
E a música, com o vinho (combinação perfeita) fazem com que a loucura diária se realize, aquela loucura diária necessária pra que a rotina seja ao menos suportável, pra transformar o usual em belo... de alguma forma...
É... há o que se fazer amanhã... e haverá o que se fazer sempre...
Mas a luz, essa pouca luz, misturada à música suave e à vontade de algo que nem mesmo se sabe se existe... e à poesia que é possível crear...
É belo.
Pensamentos convergentes III
Havia a levíssima embriagues de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter essa sede era a própria água deles. Andavam pelas ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque
--- a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras --- e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, e ela não via que ele não vira, ela que estava ali no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só por que tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo por que quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector
Pensamentos convergentes II
Nem toda relação homem e mulher é romance
Nem todo dia tem Sol, nem toda sobremesa é cheese cake e nem toda relação homem e mulher é romance.
E você vai fazer o quê?
Vai se matar por causa do cinza acima da sua cabeça? Vai tremer hipoglicêmica e carente porque só sobrou torta holandesa? Vai se manter virgem e intacta até aparecer o homem que vai te dar uma casa com cerquinhas brancas, cachorrinhos e bebês?Claro que não, você vai viver a vida, curtindo o que ela tem de melhor. E o que um bonitão que só quer te comer pode ter de melhor? Bom, eu poderia fazer uma lista. Mas a droga do romance estraga tudo isso, a droga dos filmes românticos nos enganam como as propagandas de cerveja que enchem de gostosas os babacas segurando um copinho.Por que raios a gente tem de romantizar qualquer demonstração de carinho de um homem se na maioria dos casos eles só querem nos comer?E por que ficamos tão putas se eles apenas nos comem e caem fora?Quem disse que eles são obrigados a nos amar eternamente só porque conheceram de perto a nossa beleza interior? E, finalmente: que mal há em sermos gostosas e os homens quererem nos comer?Por que isso parece ofensivo? Por que nos sentimos usadas se ambos estão lá de livre e espontânea vontade?
Isso é herança das mulheres pudicas, sonhadoras e donas de casa do século passado ou a célula do romance vai eternamente se multipilcar e passar de geração em geração através das mulheres?Eu tento, juro que tento. Mas a droga do romance não me deixa em paz.Eu não tenho mais idade para ficar morrendo de vontade de dar para um cara e ficar enrolando até ouvir juras de amor eterno (que podem ser só para me comer), francamente isso não é coisa de mulher!Mas depois passo anos pensando se não fui muito fácil.Eu vou lá, mato minha vontade, tomo um belo banho, volto independente e resolvida pra casa e acordo no dia seguinte morrendo de vontade de ganhar flores, receber ligações românticas e promessas eternas.É uma praga.
Conscientemente eu sei que nem todos os caras querem namorar comigo, e mais conscientemente ainda eu sei que eu também não quero namorar com a maioria deles. Mas lá dentro fica a dúvida: será que fui usada?Da onde vem esse sentimento fraco, submisso, antigo, arcaico, pobre e idiota de que numa relação sexual o homem é o dominante que come e a mulher a coitada que é comida?
Claro que tem os babacas que nos fazem sentir assim, não se preocupam com o nosso prazer e agem na velocidade do prazer deles.Mas tirando esses babacas (e depois que você experimenta um quase sempre fica descolada para afugentar os outros) por que um homem que te trata bem, te come direito, com carinho, com respeito e depois não quer namorar com você, te ofende?
E por que se ele te tratou tão bem, com tanto carinho e respeito, só quis te comer e caiu fora? Precisava se dar tanto trabalho?A vida é complicada. E a vida é complicada porque nós mulheres romantizamos tudo, ou quase tudo. Ou justamente o que não deveríamos.A gente faz planos mesmo em cima dos silêncios deles. A gente vê beleza em cada sumiço. A gente vê olhares de amor no mais puro olhar de tesão. A gente acaba de trepar e é batata: deita no peito deles!Ah, o romance! Mulher que é mulher não consegue fugir de um.Você pode até levantar apressada, fumar um cigarro, olhar a janela. Você pode disfarçar. Mas lá no fundo, bem escondido, estão seus sonhos de entrar de branco numa igreja e ver lá na frente aquele homem para quem você acabou de dar.
Você vai para o banho super senhora de si, mas enquanto a água escorre levando restos de células esfregadas e sêmens, você fica na dúvida entre se ele vai ligar no dia seguinte e o nome dos filhos.Será que ele vai ter os olhos do pai?
Eu cansei de ser assim, por que não consigo ver os homens como diversão se eles conseguem tão facilmente nos ver assim?Por que não posso aceitar que nem tudo é romance?
Por que a droga da chuva me lembra todas as vezes que eu voltei para casasonhando e no dia seguinte me deparei com a frieza do dia seguinte?Por que a droga do jazz me lembra a vida perfeita que eu sonho a cada ombro cheiroso que me cega os problemas e me ensurdece a espera?Por que a droga da noite me lembra os corpos amados que ainda que cansados e tombados nunca caíram por mim?
Aonde está você pelo amor de Deus! Aonde está você? Não vê que estou cansada de pertencer a todos e não ser de ninguém? Não vê que minha devolução me enfraquece cada vez mais em me entregar?Não vê que na loucura de te encontrar não meço as entregas? E elas nunca são entregas porque eles nunca são você.Porque comecei este texto tão bem e mais uma vez esqueci de ser a mulher moderna que eu tanto gostaria de ser para lembrar a mulher romântica que espera por você a cada esquina, a cada decote, a cada riso nervoso que solto em forma de grito à espera do seu socorro.
Eu vou continuar vendo você em todos esses crápulas que fingem ser você para vulgarizar o meu amor. Eu vou continuar cheirando você em todos esses suores fugazes que me querem num conto pequeno. Eu vou continuar lendo a nossa história em contos pequenos.Cadê você que some a cada som que não me procura?
Cadê você que parece ser e nunca é porque desaparece no cansaço das relações?O meu amor acaba por todos, a minha espera cansa por todos, a minha raiva ameniza por todos. Mas a minha fé por você cresce a cada dia.Eu posso transar no primeiro encontro, eu posso transar por transar. Eu posso trepar. Eu posso te encontrar num flat na hora do almoço para uma rapidinha. Eu posso reclinar o banco do meu carro e mandar ver. Eu posso deixar você não me beijar na boca. Eu posso aceitar que você nunca me leve de mãos dadas a um cinema. Eu posso ser uma noite e nada demais. Eu posso ser um banheiro e nada mais. Eu posso ser nada mais.Mas eu nunca, em nenhum momento, deixo de romantizar a vida, cada segundo, por mais podre que seja, dela. Eu nunca deixo de procurar você. Eu nunca deixo de acreditar que você exista, e eu nunca deixo de acreditar que você faz o mesmo a minha espera.
Tatiane Bernardi
Pensamentos convergentes I
São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. Apenas sombras as palavras no papel.
Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes. Fátuas sombras as palavras no papel.
Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito o amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo o amor como faço o poema.
Quero da vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, não no coração. Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico. Quero genitais todas as superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo. Não há limites para o fim de um grande amor.
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas. A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais nos deixamos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.
Roberto Freire
Wednesday, August 16, 2006
Ilha

Ah! E como voltei diferente...
Em um momento, eu estava no topo de uma montanha, era a montanha errada. Eu devia ter ido para a direita, mas ventos me levaram para a esquerda. E à esquerda não havia trilha, não havia trilha.
E lá em cima, da montanha agora certa, fechei os olhos. Parei. Lá em cima. Vendo deus em forma de água e pássaros, verde, muito verde e brisa suave no rosto.
Naquele momento, momento certo, sozinha, em algum dia de agosto dos meus 28 anos, agradeci pelo presente que me dei.
Eu, sozinha, me presenteei.
Me presenteei com terra e água e luz no corpo, com leveza no movimento e com um suspiro profundo de simples alegria. Alegria simples.
A montanha me engolia e eu me permitia nela penetrar, com pés cansados e corpo suado.
Me entreguei a meu presente.
E vi que ninguém poderia me agradar tanto quanto eu mesma.
Vi também como estava presa e tensa dentro do mundo que criei pra mim. Condicionada e com os braços atados. Resignada a movimentos curtos e palavras vagas. A presenças superficiais e abraços pouco verdadeiros.
Não, não.
O que preciso é de olhares que me atravessem. Toques que em meu corpo permaneçam como uma lembrança boa. Prazer que corra em minhas veias a cada instante de lembrança.
E a entrega foi tanta, e o peso sugado pela terra, e a tristeza arrancada pelo vento, e o medo dissipado pelo longo caminhar que o sorriso voltou leve e natural. Solto.
E, por tão verdadeira, fui ainda presenteada por uma descoberta.
Um encontro, uma estória e alguns dias.
Encontro daqueles em que o toque fica no corpo e o prazer nas veias.
Lembrança boa.
Agora volto ao meu caminho. Procurando a trilha errada.
15/08/2006
Tuesday, July 18, 2006
Carta para Leo
Minha mãe mandava Telex.
Portanto, graças ao Telex, tenho fé de que surgirá uma nova filosofia política que transformará todas as relações humanas, inclusive as de trabalho. Algo como capitalismo humanista, ou socialismo liberal, sei lá. Tudo isso pra um dia alcançarmos a tão almejada (por nós) anarquia. Enfim... Dá-lhe Telex até lá.
Contudo, ainda acho que nasci na época certa. Só queria ter caminhado pelas ruas de Nova York com Henry Miller e frequentado o beco dos malditos em Paris.
Eu quero leveza na minha vida. Esses ataques todos... Eu fico olhando a TV e achando que a qualquer momento vou ver um cabeludo (e careca ao mesmo tempo), barrigudo de óculos saindo correndo depois de tacar uma bomba caseira em alguma delegacia... Leo, se comporta, hein! Ideologias cegas são lindas, bem sei. Mas também são limitantes. Sei que pareço uma dessas desistentes conformadas e passivas... uma merda, né. Mas acredito na evolução do ser humano, sou otimista, acredito que a educação e o amor possam transformar o mundo. John Lennon é o cara! Manja?? Qualquer ato de violência é, pra mim, o fundamento de se perder a razão. E ponto. Ambulância, Leo? Ônibus de deficientes? Os caras tacaram fogo nisso! E se isso for uma revolução social, é a revolução mais burra e desorganizada que já vi, já que coloca o povo contra ela. Enfim, quando vejo notícia dessas na TV, mudo de canal.

Eu estava no ponto de ônibus outro dia, e vi uma mina com um jornal que falava sobre budismo. Acho que foi um sinal...Eu quero me descobrir, ou me reencontrar. Com leveza, suavidade, amor e fluidez. Mais nada.
E que se fodam Bush, PCC e a Princesa Isabel. Aquela hipócrita.
Beijos, com um sentimento gostoso e confortante do que um dia fomos um para o outro. Simplicidade linda, tão difícil de fazer a maioria das pessoas compreender ser possível.
Sem explicações, nossas estórias nos bastam.
Você me faz olhar pra trás e sorrir.
Thursday, July 13, 2006
Essência

Essa essência que sempre a levou para as formas, para a pele, o branco da pele.
Suave e sutil. Como se a pele retratada pudesse tocar quem a olha, pudesse suar, delicadamente deslizar do papel e penetrar na essência do outro. Exprimir e explodir sua verdade, utilizando-se não apenas do olhar, mas de todos os sentidos de quem a observa.
Toque, cheiros, texturas e sabores.
Esse pode ser considerado um dos motivos de Alessandra Cestac. Sua fragilidade expressa em arte a partir da cor, do movimento e pulsação humanos.
Em Voltas, uma de suas experiências com o corpo, Alessandra se aproxima dos detalhes, marcas, extremidades que se fundem para dar forma e vida a um ser único, como um ritual de nascimento e eternidade. A certeza da vida que pulsa e que corre, quente, nas veias do mundo.
Surge, então, sua visão deste mundo que nos cerca. E a interação do corpo com o espaço revela que a fragilidade de uma pele nua torna-se brilhante, forte e livre. O frio e vazio do espaço coletivo, as luzes soltas e solitárias de ruas sem identidade se enchem de esperança com a força da forma, do gesto.
Se por vezes sentimos a inquietude e o incomodo da intensa exposição com tal espaço, como se esse todo opressor e cinza pudesse anular o sopro, Alessandra nos mostra que é possível seduzi-lo. E então o ambiente cede e transfere sua força para o brilho do olhar, a delicadeza da curva, a suavidade do toque.
O corpo, enfim, torna-se dono de si mesmo e do espaço que o cerca, certo de sua sutil e, no entanto, marcante e eterna presença.
E assim, Alessandra Cestac se mostra. Nua e inteira. Completa em essência, encontrando em si mesma suas respostas e expondo sua verdade.
E nesta rica e penetrante mensagem, toca com sua textura os expectadores de sua arte.
www.flickr.com/photos/alessandracestac
Wednesday, May 31, 2006
Cecília Meireles
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... – mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço...
Só – no tempo equilibrada, Desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só – na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada."
Thursday, April 20, 2006
Os Mistérios Erisianos

O Princípio Anerístico é aquele de APARENTE ORDEM; o Princípio Erístico é aquele de APARENTE DESORDEM. Tanto ordem quando desordem são conceitos criados pelo homem e são divisões artificiais do CAOS PURO, que é um nível além do que o nível de criação de distinções. Com nosso aparato de criar conceitos, que chamamos "mente", nós olhamos para a realidade através das idéias-sobre-a-realidade que nossas culturas nos dão. As idéias-sobre-a-realidade são erroneamente rotuladas de "realidade", e pessoas não iluminadas sempre ficam perplexas pelo fato de que outras pessoas, especialmente outras culturas, vêem a "realidade" de uma maneira diferente. São somente as idéias-sobre-a-realidade que diferem. A realidade Real (Verdadeira com V maiúsculo) é um nível além do nível de conceito. Nós olhamos para o mundo através de janelas nas quais foram desenhadas grades (conceitos). Filosofias diferentes usam grades diferentes. Uma cultura é um grupo de pessoas com grades bastante similares. Através de uma janela nós vemos caos, e relacionamos ele aos pontos na nossa grade, e assim entendemos ele. A ORDEM está na GRADE. Este é o Princípio Anerístico. A Filosofia Ocidental preocupa-se tradicionalmente em contrastar uma grade com outra grade, e juntar grades na esperança de encontrar uma perfeita, que vai retratar toda a realidade, e vai, portanto, (dizem os ocidentais não-iluminados) ser Verdadeira. Isto é ilusório, é o que nós Erisianos chamamos de ILUSÃO ANERÍSTICA. Algumas grades podem ser mais úteis do que outras, algumas mais agradáveis do que outras, etc., mas nenhuma pode ser mais Verdadeira do que nenhuma outra. DESORDEM é simplesmente informação não relacionada vista através de alguma grade particular. Mas, como "relação", não-relação é um conceito. Macho, como fêmea, é uma idéia sobre sexo. Dizer que macheza é "ausência de feminilidade", ou vice-versa, é uma questão de definição e metafisicamente arbitrária. O conceito artificial de não-relação é o PRINCÍPIO ERISIANO. A crença de que "ordem é verdadeira" e desordem é falsa, ou de alguma outra forma errada, é a Ilusão Anerística. Dizer o mesmo da desordem é a ILUSÃO ERÍSTICA. O ponto é que a verdade (v-minúsculo) é uma questão de definição relativa à grade que uma pessoa está usando no momento, e a Verdade (V-maiúsculo), realidade metafísica, é totalmente irrelevante para as grades. Pegue uma grade, e através dela algum caos parece desordenado e outro aparenta desordem. Pegue uma outra grade, e o mesmo caos vai aparecer ordenado e desordenado de forma diferente.
Thursday, April 13, 2006
Um texto meio sem fundamento
Por que todo mundo na idade média se matava?
No Japão havia a cidade de Edo, hoje Tokyo. E também tinha Kyoto, hoje Kyoto.
Várias guerras civis rolaram.
Destruíram Kyoto.
E a arte floresceu!
A idéia é a de que a arte, assim como a cultura, brota após um período politicamente crítico.
A onda chega e tudo destrói. Não resta alternativa senão começar de novo sob outra ótica, com diferentes perspectivas e valores.
O novo abre espaço para quea visão seja diferenciada e, com ela, vem a criação.
Inata, porém amortecida.
É preciso que o mundo se transforme, se renove periodicamente, para que a arte floresça?
Ou será a arte responsável pela renovação do mundo?
No Japão da idade média, os que detinham o poder usavam a arte como instrumento. Permitiam que os artistas retratassem o dia a dia das cidades (e pagavam pelas obras) para que pudessem observar o que ocorria com o povo sob seu domínio.
Puta texto tosco. Parei.
Tuesday, March 28, 2006
Pesadelo

Mas eu não queria ver aquele filme, nem ver novela... então apaguei a luz às 21h30, quando meus olhos não reconheciam mais a sequência das palavras do livro que deviam estar fazendo sentido mas que, para mim, não diziam mais nada.
Meus olhos, pesados, pediam para ser virados do avesso pra poderem olhar, ou ler, as estórias que meu cérebro guarda no universo dos meus sonhos.
Então resolvi dormir.
Mas meu sono das 21h30 não foi pesado o suficiente para me poupar de um impiedoso despertar, às 22h, ao som do KLB.
Eles invadiram minha casa.
Quem manda ser carente e ficar aguardando visitas?
Eles chegaram. Eles e suas musiquinhas.
Eles invadiram minha casa!!
Por estarem em depreciação no mercado musical e, consequentemente, cobrarem um cachê mais baratinho, o querido prefeito os contratou para um show em comemoração ao aniversário da minha cidade.
Pão e circo!! Eba!!
Neste caso, apenas circo, porque o pão deve ser comprado em uma das barraquinhas da festa.
Tudo bem. Respiro fundo. Tá tudo bem, Marina. Se concentra.
Comecei a pensar no que poderia fazer pra evitar um colapso nervoso.
Depois de 40 minutos rolando na cama, pensando se incomodaria Deus com uma súplica desesperada ou se batia a cabeça na parede, resolvi me levantar.
Peguei uma taça de vinho, acendi um cigarro.
Fiquei pensando sobre o sorriso. Esse sorriso que mantemos no rosto.Um sorriso social, inexpressivo, que fica lá, jocoso, pra causar boa impressão ou, em casos mais graves, pra evitar que palavras infames saiam de uma boca que responde a uma alma verdadeira.
Ultimamente tenho lançado vários destes sorrisos. Tenho preferido a complacência. Palavras simples, gestos simples.
Meu cérebro tendo convulsões, meus pensamentos num turbilhão de idéias ainda desconexas e meu coração tentando decifrar emoções novas, tentando encontrar as respostas que possam preencher o vazio que tenho sentido.
Vazio necessário.
Por isso mantenho também vazio o sorriso.
Devo manter a energia presa em meu corpo, me alimentando.
Pois algo está se transformando em mim e quero poupar e respeitar meu momento fetal.
E agora que acabou o show do KLB posso dormir novamente e voltar ao mundo dos meus sonhos e alimentar minha alma de pensamentos etéreos.
Obrigada, meu Deus!!
Wednesday, March 22, 2006
Out

Tenho sentido meu cérebro oco.
Esse é o problema.
Estou me sentindo uma personagem do livro Admirável Mundo Novo. Um ser artificial, mecânico, plástico e sem individualidade.
Tá tudo superficial demais.
Não tem vento forte batendo no rosto.
Preciso de uma cachoeira.
Friday, March 17, 2006
Obra de arte
Marina: Enquanto não podemos reunir as três pra tirar a famosa foto poderosa, coloquei outra, não menos significativa, representando uma outra vertente de nossa tão complexa personalidade. Afinal de contas, também somos moças direitas, de família... e como diz a pantera bunda branca: Somos pra casar!!!
Ivete: Nossa!!!! Que poder eu tenho!!! To me sentindo o próprio deus... Seja feita minha vontade.... Quero um homem que nem a Marina, que faça todas as minhas vontades...A foto está ótima!!! Perfeita como uma luva...Olha que linda!!! 3 anjinhas!!! TUDIBOM, igulazinha nossas amigas legais!!
Denise: biutifu!! bem legal essa foto!! só faltou nossas carinhas!!! hehehe!
Marina: hhuummmm óotima idéiaa!!!
Friday, March 10, 2006
Monday, March 06, 2006
Oscar e pilhas
Na TV, jornais do mundo, revistas, internet. Oscar pra todo lado. Fiz umas pesquisas e o que mais encontrei foram fotos do George Clooney, lindo, em roupa de gala. Lindo mesmo.
Fiquei imaginando a quantidade de mulheres que, nesta noite, usaram seus amiguinhos pra dar uma fantasiada... hoje, provavelmente, vai ter récorde mundial de venda de pilhas.
Por isso me inspirei e resolvi fazer uma homenagem especial pra quem eu considero lindo de verdade... em todos os sentidos. Nada melhor pra uma segunda-feira chuvosa.
http://www.janesaddiction.com/janesaddiction.html

What makes a kettle whistle?
What makes gold precious?
How come some people, they'll show you everything?
How come some people, they don't like nothing at all?
Well I know why...
We all want to be
Beautiful too...
Beautiful too...
What makes a baby cry?
What makes a poor baby older than a rich one?
And why do we need to belong to someone else...
Well I know why...
We all want to be...
Beautiful too...
Beautiful too...
Thursday, March 02, 2006
Tempo

Pronto, vamos lá.
Novamente estou aqui, depois de tanto tempo, tantas coisas que aconteceram por aí afora e por aqui dentro também.
Pra começo de conversa, me mudei de casa. Conseqüência de outro fato extraordinário que se passou comigo: concluí a faculdade. Até semana passada era formanda mas, depois de algumas horas vestida de beca, morrendo de calor, fazendo discurso (sim, fui a oradora da turma) e poses para os fotógrafos, me tornei uma formada. Uma profissional do marketing ou marketeira, como alguns preferem. Eu não. Não que isso tenha revolucionado minha vida profissional, que eu tenha recebido um aumento de salário, novo emprego ou férias em algum lugar afrodisíaco, mas o fato de deitar a cabeça no travesseiro e pensar: Eu consegui! Eu agüentei! Eu fui paciente e investi numa estória de conclusão em longo prazo, realmente me fez bem. Já comecei tantas coisas, já tentei tantas possibilidades pra esse serzinho que habita em mim que até perdi a conta. Raríssimas vezes consegui concluir alguma delas. Talvez preguiça, ou simples perda de tesão. Porque eu perco o tesão nas coisas mesmo.
Mas dessa vez foi diferente, segui em frente, agüentei professor chato, português errado e pão de queijo todo dia na cantina. Agüentei ponto de ônibus na chuva (com trânsito, é claro), agüentei mensalidades, banheiro sujo e poucas horas de sono. Tudo isso, na verdade, foi abstraído por mim. Eu cantava lá lá lá quando algum desses fatos rolava porque o saldo era positivo. Como um casamento: tem lá suas chatices mas, enquanto dá vontade de sorrir, vamos em frente. É uma delícia viver estórias.
O saldo era positivo porque fiz amizades, vivi um romance (que durou menos do que o curso, mas teve seu valor), tive professores ótimos, matei aula de sexta-feira, essas coisas. Uma fase que não volta mais, definitivamente. Eu, que me sinto com 17 anos, não poderia ter passado minha pseudo adolescência de forma melhor. Foi ótimo.
E acabou. E com ela acabou o sentido de morar em Guarulhos, simples assim. E por isso, voltando ao primeiro assunto desse texto, me mudei.
Poderia vir com aquele papo de que sou andarilha, nômade, inconstante... mas a verdade é que sou prática. Chega de enfeitar o bolo. Trabalho em Mairiporã e me mudei pra Mairiporã. Faz sentido, né? Prezo por algumas horas a mais de sono.
E aqui tenho amigos, tem montanhas verdes, tem ar puro e família. Aqui tem silêncio também.
Aluguei uma casinha caindo aos pedaços. Lixei, pintei, limpei, fiquei com dor nas costas, mas valeu a pena. Agora ela parece uma casinha de campo, com paredes brancas e batentes e portas azuis. Ganhei de presente a Harolda de Tróia, uma gata que anda na diagonal. Que não tenho coragem de deixar na lavanderia e, por isso, dorme comigo e toma conta da cama toda. E fico encolhida no cantinho, torta e sem dormir, só pra não acorda-la. Ela é um bebê, está em fase de crescimento, precisa de amor e carinho... compreensível.
Na primeira semana fiz festinhas de inauguração. Na segunda semana convidei amigos pra jantar e a casa ficou uma zona. Agora, na terceira, tudo está brilhando, arrumadinho... chego em casa e?
Olho para as paredes. Perambulo sem saber o que fazer.
Cheguei ao absurdo de pensar que preciso de uma tv. Pra ver a que ponto chega o deslocamento de não se saber mais como é que se faz pra ficar consigo mesmo.
Faz tempo, muito tempo, que não tenho esse tempo.
Agora penso no tempo.
Antes era aquela correria, chegava em casa às 23h, acordava às 5h e hoje percebo que todas as vezes que me olhei no espelho pra arrumar meu cabelo, com pressa, não me enxergava de verdade.
Agora tenho tempo pra me enxergar. Tenho tempo pra pensar o que vou fazer com esse tempo livre. Por isso sentei pra escrever (desisti da idéia da tv, graças a Deus) e me lembrei de quanto tempo faz que não escrevo. Há quanto tempo não tinha tempo pra escrever? Agora o tempo é algo novo, um leque de novas possibilidades. Agora tenho que pensar em mim e o que vou fazer por mim enquanto não estiver no trabalho. Não vou pensar em trabalho.
Me bateu solidão também. Mandei mensagens para as amigas, telefonei. Mas não posso gastar tanto com celular e, na verdade, não posso ficar assim gastando meu tempo fugindo de mim. Não é pra isso que ele está em casa agora. O tempo habita minha casa. Ele paira pelos cômodos.
Ginástica? Fazer um jantar pra mim?
Tentei fazer caminhada e quando abri a porta, estava chovendo.
Lavei alface e comi a feijoada que minha amiga trouxe numa marmita. Só tive que esquentar no microondas: 50 segundos.
Brinquei com a Tróia, coloquei cds nos 3 compartimentos do meu som e eis que, Fiat Lux!, lembrei que escrevo, que tenho cerveja na geladeira e cigarros no maço!
E cá estou. Brincando novamente com o tempo, fazendo dele meu companheiro de noites chuvosas.
Tomara que esses tempos durem bastante pois há que se aprender muito com o tempo. Esse cara é realmente um mistério mas, pelo visto, vou deixar de ser um mistério pra mim, já que vou ter tempo suficiente pra me olhar direito no espelho.
30/01/06 21:25
Wednesday, March 01, 2006
Luzes

Parágrafos soltos - estudo para trabalho site
Luz
Criação. Ao enxergar o mundo pela primeira vez, o novo ser se encontra com um feixe de luz: prenúncio da co-dependência que existirá entre eles por toda a vida. Uma ligação tão
íntima que, por vezes, se torna imperceptível, tamanha sua sutileza.
A luz branca, com sua frieza e intensidade, causa o primeiro medo em uma nova vida. Choro. Lágrimas.
Mas a luz refletida nas gotas de lágrimas que correm no pequeno rosto se transforma em conforto e afago. Calor.
Dualidade infinita.
Fria, quente, de múltiplas cores, a luz banha os seres com sua força e constância. Peça fundamental para a sobrevivência de uma espécie que não mais enxerga sua própria escuridão, que não mais reconhece suas sombras.
Mas também a luz depende do ser. À mercê de seus comandos, de seus chamados contra a escuridão, ela se mantém disponível, passiva, sempre aguardando ao primeiro sinal de necessário auxílio.
Terá ela o mesmo brilho, a mesma vida dentro dos fios que a conduzem?
Asfixiada por seus fios, como uma explosão de energia, um nascimento, ela brota de suas raízes e se expande em luminosidade não linear, no entanto constante. Liberdade. Desconhece suas razões e limites, apenas se liberta, tentando alcançar o máximo de espaço possível, como uma expiração forte e profunda. Um alívio.
Pelas ruas, vendo o movimento das pessoas, ela guia seus passos. Protege. Sinais de pista que comandam decisões. Comporta-se como uma guardiã de segredos dos seres humanos, pois os segredos não habitam a luz. Pensamentos são noturnos, escuros. A luz, em si, mantém a todos acordados, lúcidos e seguros. A luz é uma máscara para o medo.
Por todos os lugares onde passo, eu vejo a luz. Presença constante. Mesmo nos momentos mais sombrios ela está presente, com sua luminosidade abafada, vermelha, quente, densa.
Poderia-se dizer que é coadjuvante, apenas uma ferramenta facilitadora para movimentos e visões. Mas, na verdade, é ela quem comanda sensações e desejos. Suas nuances trazem à tona diferentes anseios e instintos.
Fomos dominados pelo desejo e de tê-la envolta em nossos corpos, como o desejo de um eterno abraço acolhedor.
Existem as luzes presas.
As luzes solitárias que são mais fortes.
As luzes sujas, presas com mosquitos no vidro.
Luzes em conjunto formando uma musicalidade.
Uma luz vermelha que chama toda a atenção só para ela.
Eu preciso de um namorado. To com muito tesão contido.
Existem as luzes presas. Uma aceitação denunciada pelas marcas que ficam nas paredes ou chão, cicatrizes que evidenciam sua limitação, sua tristeza. Surgindo com toda a intensidade que sua natureza proporciona, de repente ela se vê bloqueada por sua própria passividade, por sua necessidade de ser conduzida por mãos humanas. Seu grito não é ouvido. Sua dependência explícita. Na tentativa de se libertar, de mostrar sua real natureza, ela se utiliza da própria estrutura bloqueadora, e com ela desenha figuras geométricas. Utiliza tais elementos para chamar atenção ao seu grito de liberdade.



